Artigo
Publicado em 29/07/2026, às 23h07 José Medrado
Ora, ora, quem não sabe que toda família tem suas dores, absolutamente toda. Temos aquelas divergências, parentes difíceis. Após reuniões, aniversários comentamos comportamentos, indelicadezas... Nós sabemos exatamente quais são as falhas do nosso irmão, as inconveniências do cunhado ou as atitudes criticáveis da cunhada. Entre nós, a crítica é livre, o debate é acalorado e a cobrança é legítima. Afinal, a casa é nossa e as consequências das escolhas feitas sob este teto afetam a todos nós. No entanto, a regra muda drasticamente quando um visitante atravessa o portão. Se um vizinho ou um convidado entra na nossa sala, senta-se ao nosso sofá e decide verbalizar ofensas aos membros da nossa família, a reação é imediata e instintiva. Seja honesto, honesta, mas não é assim? Mesmo que o visitante tenha um ponto válido em sua provocação, a forma invalida o conteúdo. Na nossa casa, quem aponta os erros dos nossos somos nós, e mesmo assim surgirão as divergências quanto o que se fala de um dos nossos. Quem nunca ouviu, tipo: “Você está exagerando...”, “Você está com implicância...” Aceitar, no entanto, que um estranho venha ditar regras ou proferir insultos dentro do nosso território não é civilidade. É complacência com o desrespeito.
Jornais e analistas ao redor do mundo registram o episódio com perplexidade – Milei atrancando Luna, no Brasil. Críticas diplomáticas e divergências ideológicas entre governos fazem parte do jogo geopolítico e devem ser tratadas nos canais adequados. Insultos proferidos no próprio solo do ofendido, contudo, desrespeitam não apenas a figura do presidente atingido, mas a própria instituição da Presidência e, por extensão, o povo que ela representa naquele momento. Discordar do governante do seu país é um direito sagrado do cidadão. Permitir que um líder estrangeiro venha achincalhá-lo em nosso próprio território é aceitar que a nossa casa virou terra sem dono, casa de mãe Joana, diria minha mãe.
Entendo que já passou da hora de lembrarmos, independentemente de paixões partidárias, que a porta de entrada da nossa nação exige respeito. Quem vem de fora entra como visitante - a gestão da casa continua sendo assunto exclusivo de quem mora nela. O brasileiro não pode em nome das suas paixões, sair permitindo que um dos seus seja atacado com tanta virulência e ódio. Os senhores que querem conduzir esta Nação, pelas câmaras estaduais, federais, palácio precisam entender que buscar o acesso pelo veto, deve ter uma certa medida – tudo tem a sua medida própria. Lamentável é quando não vemos e o piro, ainda vai ter leitores aqui lembrando que A fez pior, porque....e vai relatar o que A fez em acordo com o que este despretensioso critica. Então, o “olho por olho, dente por dente” esta em voga. Triste.
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