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COP29: Agropecuária tem importância crescente nas discussões sobre clima; saiba mais

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Como parte da programação da COP29, nesta terça (19), discute-se agenda agropecuária  |   Bnews - Divulgação Divulgação / Freepik
Verônica Macedo

por Verônica Macedo

veronica.macedo@bnews.com.br

Publicado em 19/11/2024, às 08h32 - Atualizado às 08h33



Nesta terça-feira (19), como parte da programação oficial da  29ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas – COP29, em Baku, acontece o Dia da Agricultura. O evento é mais uma mostra de que a agenda de agropecuária vem ganhando força a cada evento, com crescente reconhecimento do potencial do setor agrário no combate às mudanças climáticas. 

No cenário geral da COP, o Grupo de Trabalho de Agricultura, dedicado ao setor agropecuário, já encerrou as discussões e encaminhamentos ao longo dessa primeira semana do evento e está com suas propostas consolidadas e prontas para serem oficializadas pelos países na plenária de encerramento, prevista para 22 de novembro, ou seja, nesta sexta-feira.

“O consenso estava construído desde a Conferência de Bonn (na Alemanha), em junho deste ano, quando se formatou um roadmap de ações focadas em agricultura e segurança alimentar”, informa Renata Potenza, especialista em Políticas Climáticas no Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora). 

A agropecuária é o único setor econômico com um grupo de trabalho próprio na Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC). Ele foi criado em 2018, renovado em 2022, e deve durar até 2026.

Depois de uma atuação mais técnica e conceitual por anos, o roteiro desenhado em Bonn prevê ações como: a realização de dois workshops – um em junho de 2025, sobre agricultura holística e sistêmica, e outro em junho de 2026, sobre meios de implementação –; a preparação até 2026 de um relatório sobre financiamento para agricultura, com foco em adaptação; e o lançamento de uma plataforma online para compartilhamento de projetos, políticas e iniciativas de países e observadores. 

Esse portal foi lançado pela Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima  - UNFCCC algumas semanas antes da COP29 e longamente discutido no Grupo de Trabalho. “Ele agora passará por ajustes com base nas discussões feitas. A expectativa é que essa plataforma aprimorada promova cooperações, facilite a busca por financiamento e alimente o intercâmbio de informações sobre bons exemplos de agricultura regenerativa e sustentável”, diz Potenza. 

Outra iniciativa para aumentar a visibilidade das discussões sobre agropecuária e sistemas agroalimentares é a Baku Harmony, que será lançada no Dia da Agricultura e, entre outras ações, também lançará uma plataforma dedicada a essa agenda.

Essa plataforma está sendo organizada pela presidência da COP 29, em cooperação com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), e será apresentada nesta terça-feira (19). Seu objetivo é conciliar diferentes iniciativas e declarações sobre sistemas agroalimentares e segurança alimentar e dar voz a produtores familiares e populações rurais vulneráveis. 

Também cercada de expectativas está a discussão sobre como o financiamento climático irá incidir sobre a atividade agrária. Ela é uma das mais afetadas pelos extremos climáticos e, ao mesmo tempo, grande emissora de gases de efeito estufa, o que aumenta sua importância para a reversão desse cenário.

O financiamento é fundamental para fazer com que medidas mitigatórias e de adaptação aterrissem no meio rural e sejam rapidamente implementadas. “Esperamos que a COP 29 tenha como saldo ações reais, consolidadas e transformadoras para uma transição justa e inclusiva dos sistemas agroalimentares”, diz Isabel Garcia Drigo, diretora de Clima, Uso da Terra e Políticas Públicas do Imaflora.

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