BNews Agro

Nebulosidade prolongada prejudica soja, mas manejo nutricional pode minimizar danos, diz especialista

Divulgação / Pixabay
Especialista destaca que baixa luminosidade reduz fotossíntese e compromete enchimento dos grãos  |   Bnews - Divulgação Divulgação / Pixabay
Verônica Macedo

por Verônica Macedo

veronica.macedo@bnews.com.br

Publicado em 11/02/2025, às 12h01 - Atualizado às 12h16



A ocorrência de dias nublados prolongados, como é observado em Sinop (MT) e outras regiões brasileiras, tem sido um desafio crescente para os produtores de soja, especialmente durante a fase de enchimento dos grãos. Com a redução da luz solar, a taxa de fotossíntese das plantas diminui, impactando diretamente a qualidade e o rendimento da produção.

Para ajudar os agricultores a enfrentarem essa adversidade, Ricardo Allebrandt, agrônomo especialista no tema e coordenador técnico de mercado da Nitro – empresa brasileira de insumos agrícolas de nutrição e biológicos, destacou algumas estratégias fundamentais.  

O especialista explica que o enchimento de grãos ocorre por meio da transferência de carboidratos, produzidos nas folhas pela fotossíntese, para as vagens e grãos. Quando a luminosidade é insuficiente, a produção de fotoassimilados é afetada, reduzindo o transporte desses compostos. “O impacto dos dias nublados na fisiologia da planta é direto: menos luz disponível significa menor produção de energia e, portanto, menor enchimento dos grãos”, afirma Ricardo.

Ele comenta que, embora não seja possível substituir completamente a fotossíntese, estratégias de manejo nutricional podem ajudar a mitigar os impactos da baixa luminosidade. O uso de aminoácidos de origem vegetal, por exemplo, tem se mostrado uma alternativa eficaz, fornecendo energia adicional para a planta durante períodos de estresse.

“A glicose gerada no processo é fundamental para a respiração celular da planta, mas em sua ausência, outros compostos, como os aminoácidos, podem ser utilizados como fonte de energia. Nesse caso, a suplementação nutricional pode reduzir os impactos negativos da baixa luminosidade”, explica. 

O agrônomo aponta que outra estratégia importante é a adubação foliar com nutrientes estratégicos como magnésio, potássio e boro. “O magnésio desempenha um papel relevante em várias etapas do metabolismo da planta, desde a interceptação da luz até o transporte de carboidratos para os grãos. Já o boro, por exemplo, auxilia na manutenção da sacarose na forma que é transportada, o que garante sua chegada até os órgãos reprodutivos da planta”, esclarece. 

A escolha de cultivares adaptadas a condições de baixa luminosidade também pode minimizar as perdas, segundo Ricardo. Plantas com estrutura foliar que permitem melhor interceptação da luz difusa e que reduzem o sombreamento excessivo entre folhas apresentam melhor desempenho em períodos de nebulosidade prolongada.

Além disso, o manejo fitossanitário adequado é essencial para manter as folhas realizando fotossíntese por mais tempo. A aplicação de produtos que inibem a produção excessiva do hormônio etileno, como aqueles à base de cobalto e níquel, pode ajudar a prolongar a atividade das folhas do baixeiro e reduzir o abortamento de vagens.

“Não podemos controlar o clima, mas podemos adotar estratégias para minimizar seus impactos. Garantir um manejo nutricional adequado, escolher cultivares bem adaptadas e manter a sanidade da lavoura são medidas fundamentais para assegurar a produtividade”, conclui o especialista.

Clique aqui e se inscreva no canal do BNews no Youtube!

Classificação Indicativa: Livre

Facebook Twitter WhatsApp Google News Bnews


Cadastre-se na Newsletter do Bnews (Beta)