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Advogada com paralisia diz ter sido expulsa de evento após reclamar de acessibilidade

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Episódio aconteceu em São Paulo. Nathalia Blagevitch Fernandez diz ter sido discriminada e conduzida para fora de uma mostra de arquitetura e decoração, organizada pela Casacor, no último sábado (23)

Publicado em 25/10/2021, às 08h36    Reprodução    Redação BNews

A advogada Nathalia Blagevitch Fernandez, de 30 anos, portadora de paralisia cerebral, narra ter sido discriminada e conduzida para fora de uma mostra de arquitetura e decoração, em São Paulo, após reclamar da falta de acessibilidade no evento.

De acordo com informações do Blog Vencer Limites, associada ao jornal O Estado de São Paulo, ela informou ser uma pessoa com deficiência no momento em que adquiriu, pela internet, dois ingressos para a mostra - R$ 50 cada.  

Quando chegou ao Allianz Parque, na região oeste da cidade, onde o evento acontece, no último sábado (23), ela visitou o primeiro andar da exposição e procurou por elevadores para acessar os andares superiores. 

Como não teve sucesso, buscou representantes da organização da mostra.

“A equipe da exposição explicou que os elevadores para pessoas com deficiência haviam sido danificados após uma falta de luz e estavam parados”, afirma a advogada. “Indicaram o uso do elevador de carga, mas disseram que eu só subiria um andar”, continua.

Quando Nathalia perguntou se alguém poderia carregá-la, acabou escutando uma recusa. Em nota enviada à publicação, a Casacor, responsável pela mostra, diz que reforçou com a visitante que ela poderia solicitar ressarcimento ou reagendar a visita. 

"Ao chegar no piso térreo, Nathalia se dirigiu até a bilheteria, como indicado pela equipe, para explicação do procedimento de estorno do valor de ingresso pela operadora de cartão de crédito”, diz a nota.

A advogada também conta que quando ela e sua acompanhante desciam pelo elevador de carga, cruzaram com duas mulheres, uma delas carregando um bebê e um carrinho, a outra usando uma bengala. 

Elas entraram no elevador, acompanhadas por uma mulher com crachá da Casacor. 

"Falei [para as mulheres]  que não havia acessibilidade. A funcionária da Casacor respondeu na hora ‘cala a boca sua mentirosa’ na frente de todas as pessoas”, conta. Após a situação, ela chamou a polícia e pediu para falar com a organizadora do evento – Eliana Sanchez.

Segundo Nathalia, a mesma funcionária que a chamou de mentirosa não permitiu contato com Sanchez. 

Também em nota, a Casacor diz que acompanhou Nathália durante a chamada da Polícia Militar e solicitou que ela aguardasse a chegada da viatura "em local de sua escolha". 

"A visitante, após a ligação, decidiu ir embora, sendo acompanhada pela equipe brigadista durante todo o trajeto até a saída da mostra, feita por um túnel (instalação artística). A equipe se ofereceu para acompanhá-la até seu carro (estacionado em shopping vizinho), o que a visitante recusou”, afirma a organizadora do evento.

Nathalia, contudo, não confirma essa situação. “Depois que chamei a polícia, a bombeira disse que eu não podia mais ficar lá e teria de esperar os policiais do lado de fora. Me conduziram para fora, fui expulsa”, acusa a advogada.

Ela explica que os policiais compareceram ao local, mas não fizeram nada - alegando que “não havia crime” - e a orientaram a registrar o boletim de ocorrência pela internet. 

A advogada seguiu a orientação e informou que comparecerá à Delegacia de Polícia da Pessoa com Deficiência de São Paulo, no Centro da capital paulista, onde formalizará uma denúncia.

De acordo com a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (n° 13.146/2015),  pessoa com deficiência tem direito "à cultura, ao esporte, ao turismo e ao lazer em igualdade de oportunidades com as demais pessoas", lhes sendo  garantido  o direito a acessibilidade nos locais de eventos e nos serviços prestados.

A mesma norma determina ainda que é crime “praticar, induzir ou incitar" discriminação de pessoa em razão de sua deficiência, com previsão de pena de reclusão de um a três anos - além de multa.

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