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Bahia já registrou mais de 3 mil focos de incêndios florestais em 2024; veja principal causa

Divulgação/Corpo de Bombeiros
Coronel do Corpo de Bombeiros Militar da Bahia dá orientações para evitar novos focos de incêndios no estado  |   Bnews - Divulgação Divulgação/Corpo de Bombeiros

Publicado em 19/09/2024, às 06h00   Victória Valentina



Céu cinza encoberto por fumaça, fogo por todos os lados e dificuldade para respirar por conta da má qualidade do ar. É assim que a população brasileira está vivendo nos últimos meses, especialmente no Norte, Centro-Oeste e Sudeste do país, graças às queimadas e incêndios florestais. O cenário na Bahia não é muito diferente.

Sendo o segundo estado do Nordeste em número de focos de incêndios, a Bahia teve 3.356 ocorrências registradas entre janeiro e agosto deste ano, segundo o Sistema de Monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), estando atrás apenas do Maranhão, com 6.871 registros.

Em conversa com o BNews, o Coronel Almeida, do Corpo de Bombeiros Militar da Bahia, afirmou que o cenário do estado se dá por conta de uma série de combinações, mas o principal é o ser humano.

"Estamos vivendo um período bastante seco por causa das mudanças climáticas, o aumento da temperatura ajuda muito a causar incêndios. E a gente sabe que, historicamente, os meses de setembro e outubro são de grande incidência de incêndios florestais. Mas o fato é que 95% dos incêndios são causados pela ação humana, seja intencional ou por negligência, muitas vezes por gente que toca fogo no lixo e acaba se espalhando, ou quem toca fogo no pasto, vai fazer uma fogueira. Poucas vezes são de causas naturais - com cacos de vidros e latinhas na mata", disse.

Segundo o coronel, a região Oeste é a que mais sofre com os incêndios, como os municípios de Muquém do São Francisco, Barreiras, Formosa do Rio Preto, São Desidério e Cocos. Já em outubro, a região da Chapada Diamantina costuma ser castigada pelo fogo.

A cidade de São Paulo apareceu no topo das metrópoles com a pior qualidade do ar no mundo, superando locais como Karachi, no Paquistão; Dubai, nos Emirados Árabes Unidos e Tel Aviv-Yafo, em Israel. Questionado se os baianos devem sofrer da mesma forma que os brasileiros das regiões Centro-Oeste e Sudeste, o Coronel Almeida afirmou que é muito difícil e exaltou o trabalho dos socorristas baianos.

"A gente faz acompanhamento através do Painel do Fogo, uma plataforma do Governo Federal, onde, por satélite, são exibidas as áreas que tem fogo em nosso estado. A gente faz o acompanhamento e, no momento, tem focos espalhados, mas não estamos numa situação de alerta vermelho e, sim, de preocupação, mas os nossos bombeiros estão dando conta. Somos referência no Nordeste no combate aos incêndios florestais", ressaltou.

Atuação dos bombeiros e orientações

O combate em áreas de mata requer muita preparação e esforço por parte dos bombeiros. De acordo com Almeida, eles fazem cursos de prevenção específicos e aprendem a trabalhar em terrenos inóspitos, como em área rural.

incêndio
Bombeiros militares combatendo incêndio florestam em Muquém do São Francisco

"Muitas vezes nem conseguimos acessar com nossas viaturas. Os bombeiros têm que se deslocar, por horas, até chegar ao local e fazer o combate. Precisa ter uma resistência física para que ele possa, além de percorrer esse trajeto, usar todo o equipamento em combate. Fazemos todo um planejamento", detalhou.

Atualmente, os bombeiros possuem cinco bases florestais na Bahia em funcionamento: nas regiões leste e oeste, na Lapa, na Chapada e em Vitória da Conquista. "São cerca de 175 bombeiros militares atuando nas regiões, em média 40 viaturas para deslocar os agentes para o local mais próximo de combate. Eles saem logo pela manhã, se deslocam e permanecem o dia inteiro no local. Normalmente, ficam cerca de 15 dias na região, até que acontece a troca da equipe", prosseguiu.

Para evitar os incêndios florestais, o bombeiro destaca que a principal orientação é evitar qualquer manejo de fogo que possa ser perigoso, como acender fogueiras ou queimar lixo próximo a áreas de mata. Caso a população note um incêndio, é imprescindível ligar para o telefone 193, que é o número de emergência do Corpo de Bombeiros, ou mesmo acionar uma das bases espalhadas pela Bahia.

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