Cidades
por Vagner Ferreira
Publicado em 21/08/2025, às 06h00
Composta por casarões antigos de até cinco andares no Centro Histórico de Salvador, a rua do Taboão faz a ligação entre a Cidade Baixa e a Cidade Alta, passando por bairros como Comércio, Pelourinho, Baixa dos Sapateiros e Carmo.
O local que testemunhou a Revolta dos Malês e foi cenário para as obras de Jorge Amado, como Quincas Berro D’ Água e Tenda dos Milagres, parece estar, muitas vezes, perdendo o seu protagonismo. O déficit pode ser visto em imóveis - sejam residenciais, sejam comerciais - em estado de abandono ou de ruínas.
Aliás, tais problemas não se limitam apenas ao Taboão. Um levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), do Censo Demográfico 2022, publicado no final do ano passado, apontou que o Centro Histórico de Salvador possuía uma média de 38% dos domicílios vagos e/ou em ruínas, correspondendo a um total de 77.945 imóveis.
“A rua do Taboão, antigamente, era maravilhosa. Tinha muitas lojas que vendiam colchão, que vendia estofado e as pessoas iam para lá só para comprar", lembra o guia de turismo, Antônio Felix Santos Ferreira, que sempre morou na região do Centro Histórico e, atualmente, reside na Baixa dos Sapateiros.
"Infelizmente, como o Centro Histórico de Salvador está abandonado, as pessoas deixaram de fazer as suas compras e de frequentar o Taboão. Hoje, você tem na Pituba e na Baixa dos Sapateiros, por exemplo, lojas que comercializam a mesma mercadoria. E se não tem morador, não tem comprador”, contou ele ao BNews
Um dos exemplos clássicos de abandonos na região é o Elevador do Taboão, que foi reativado em 2021, após mais de 60 anos sem funcionar, o que dificultava o acesso entre as cidades alta e baixa. O transporte, que foi fundado em janeiro de 1896 como um marco da arquitetura ferroviária na Bahia, passou a ser desativado em 1959 devido à degradação do ascensor.
Mais recentemente, em 2024, uma marquise do Edifício Orion, na Rua do Taboão, no Pelourinho, caiu por falta de infraestrutura necessária e deixou o trânsito interditado até que a demolição dos rejeitos fosse feita por equipes da Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedur).
O que dizem as autoridades?
A equipe do BNews buscou entender com os órgãos públicos o que pode resultar desta evasão. Quando questionada, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Urbanismo (Sedur) respondeu que não possui dados ou um mapeamento sobre os imóveis abandonados.
A Secretaria Municipal de Manutenção da Cidade (Seman), por sua vez, informou que não tem nenhuma atribuição no local, nem de mapeamento e nem de intervenção, ainda mais por se tratar de imóveis privados. A entidade ressaltou que, no local, pode estar contribuindo com a realização de ações referentes à limpeza e manutenção na rede de drenagem. Entretanto, a Operação Tapa-buracos, por exemplo, contém pouca ou quase nenhuma atuação, visto que, no Taboão, as ruas são de paralelepípedos.
Já a Defesa Civil de Salvador (Codesal) informou, com exclusividade ao BNews, que o problema dos abandonos estão sendo sentidos, sobretudo, nas imediações. “Segundo o setor, a rua do Taboão tem a maioria dos seus imóveis ocupados, seja por comércio ou residência. Já as ruas do entorno, como Caminho Novo do Taboão e a Rua do Julião, realmente, apresentam alguns imóveis desocupados, sendo que alguns estão em estado de ruína”, comunicou.
O guia turístico e morador da região confirma tal afirmação. “Descendo o Julião, tem um monte de prédios abandonados, alguns são prédios privados, tem prédio que tem dono, tem prédio que não tem dono, tem os que estão na mão do governo ou, às vezes, da Igreja Católica e da Santa Casa”, disse Antônio Félix.
“E não tem previsão de quando esses prédios vão entrar em reforma. Então, nós estamos vivendo o maior descaso do Centro Histórico, o maior descaso que eu vivi, desde os anos 80", continuou.
Por fim, o Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac-BA), que também foi procurado para mais informações sobre o assunto, afirmou que não tem imóveis na região.
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