Economia & Mercado
por Vagner Ferreira
Publicado em 22/07/2025, às 06h00 - Atualizado às 06h20
Localizado em uma das áreas centrais e nobres de Salvador, o bairro da Pituba fica entre avenidas importantes da cidade, como a Paulo VI, Manoel Dias, ACM e Octávio Mangabeira, com fácil acesso à região da orla. No entanto, apesar de estar em um local estratégico, com fácil circulação de veículos e pessoas, a região enfrenta uma série de problemas em função de imóveis abandonados, contrastando, assim, com o dinamismo local.
A equipe do BNews entrou em contato com a Defesa Civil de Salvador (Codesal) para saber quais são os principais locais afetados. Apenas dois foram pontuados: o
primeiro é a antiga sede dos Correios, na Avenida Paulo VI; o outro é a Rua Cícero Simões, próximo ao beco da Cultura, que faz divisa com o Nordeste de Amaralina - este, segundo moradores locais, está abandonado há mais de dez anos. A Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Urbanismo (Sedur), por sua vez, respondeu que não há mapeamento ou dados sobre o assunto.
Embora haja poucos registros dos órgãos oficiais, o impacto é sentido pelos moradores e pelo mercado imobiliário. O corretor e gestor da Leon Imóveis, Thiago Leon, afirma que o nível de abandono e de imóveis deteriorados no bairro é grande e afeta, inclusive, os novos empreendimentos. “Temos percebido uma certa evasão de imóveis mais antigos na Pituba, especialmente aqueles que não passaram por reformas ou atualizações”, afirmou ele ao BNews.
O corretor destaca que as áreas mais afetadas são próximas da escola Gurilândia, da delegacia, da via principal do bairro, na saída do Hospital da Bahia, e em frente ao colégio Nossa Senhora da Luz. Segundo ele, essas regiões apresentam imóveis antigos que, apesar de não estarem totalmente abandonados, mostram-se deteriorados e com necessidade de manutenção, sobretudo nas fachadas.
Leon destaca ainda áreas próximas ao Colégio Integral, em frente ao Hortifrut e atrás da Avenida Paulo VI, que também apresentam empreendimentos em situações similares. “A maioria está passando por um inventário, de uma mãe ou avó que morreu e os filhos não querem vender agora, ou que têm algum problema de documentação. O abandono não é porque ninguém quer vender ou porque teve algum problema, mas sim por questões burocráticas familiares”, explicou ele, justificando parte da evasão.
Perfil de consumidor
O Índice FipeZap, do Instituto de Pesquisas Econômicas, apontou um aumento de 19,11% no preço do metro quadrado dos imóveis em Salvador entre março de 2024 e fevereiro de 2025. A Pituba se configurou entre os dez bairros mais caros, ocupando a oitava posição com uma cotação média de R$ 7.253 /m².
Leon ressalta que o perfil de cliente tem mudado com o tempo. "Hoje, ele busca imóveis mais compactos, funcionais e com infraestrutura moderna, como estúdios e apartamentos com áreas de lazer completas, coworking, academia e segurança 24h. A maioria acaba tendo mais saída para locação do que para venda, justamente porque o comprador está mais exigente em relação a acabamento, tecnologia e custo de manutenção”, ressaltou Leon.
Setor de bares e restaurantes
O abandono de imóveis no bairro também tem afetado diretamente o faturamento do setor gastronômico da região. “A quantidade de imóveis comerciais que estão sem ocupação no bairro da Pituba chama a atenção e isso acaba afetando os empreendedores, independente de segmento, além de quem mora no bairro, porque isso impacta a segurança pública, pois, quando você tem um bairro com mais gente transitando nas ruas, obviamente, você tem uma sensação de segurança maior”, disse ao Bnews o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) na Bahia, Leandro Menezes.

“A gente percebe também que houve uma mudança de eixo de consumo nos bares e restaurantes da Pituba, com o Preto Bar, o Boteco do Caranguejo, o La Bottega e o Tatu Bola com uma grande concentração de público, mas com outras áreas perdendo, não só pela mudança desse eixo, concentrando especificamente nessa área, mas também pela falta de movimentação e pelas dificuldades que se tem de ocupar os demais estabelecimentos comerciais”, continuou Menezes.
O presidente da Abrasel disse, ainda, ter percebido uma discrepância maior devido aos preços dos aluguéis, que têm contribuído para que esses imóveis permaneçam fechados ou abram apenas por tempo determinado, por não haver condições suficientes para serem mantidos em funcionando.
Apesar desses fatores, Leon ressalta que a Pituba ainda é um dos bairros mais procurados na capital baiana, tanto para quem deseja comprar, quanto para quem quer alugar imóveis. “A localização privilegiada, a estrutura comercial, os serviços e a mobilidade urbana ainda são grandes atrativos. O que temos visto é uma valorização dos empreendimentos novos e uma necessidade urgente de renovação dos mais antigos, para que eles consigam competir no mercado atual”, descreveu.
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