Cidades

Comunidade baiana liga obra de eólica a morte de crianças e rachaduras em casas

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Empresa responsável por obra eólica prometeu retirar a estrada, mas não foi feito  |   Bnews - Divulgação Divulgação/ Pixbay
Bruna Rocha

por Bruna Rocha

Publicado em 02/06/2025, às 10h46 - Atualizado às 10h51



Moradores da comunidade de Lagoa de Bastos, no município de Piatã, na Chapada Diamantina (BA), denunciam que uma obra da empresa Pan American Energy (PAE), responsável por um parque eólico na região, causou a morte de uma criança e rachaduras em diversas casas.

Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, a empresa abriu, em 2023, uma estrada para transporte dos equipamentos das turbinas, acompanhada de uma vala de drenagem. Moradores relatam que a comunidade foi contra a obra, e que a PAE prometeu fechar a via após o término dos trabalhos, o que não aconteceu.

A vala foi construída para escoamento da água da chuva, mas, segundo relatos, a empresa deixou uma barreira de terra que acabou formando uma espécie de lagoa após as chuvas, o que atraiu crianças da região.

Em abril deste ano, durante uma brincadeira no local, parte da contenção de terra cedeu e desabou sobre as crianças. Uma delas, Paulo Gustavo, morreu soterrado. O corpo foi retirado da terra por um agricultor da comunidade, José Matias, de 74 anos.

“Vi meu filho todo coberto de terra. Quando levantei a cabeça dele... não suportava”, contou, emocionada, Ilza Oliveira, mãe da vítima, à Folha. Ela afirma que não recebeu visita de representantes da PAE, que também não compareceram ao velório.

Além da tragédia, moradores denunciam que as obras deixaram rachaduras em diversas residências. Eles afirmam que o trânsito de veículos pesados e o uso de máquinas provocaram danos às estruturas das casas.

Em nota enviada à Folha de S.Paulo, a PAE lamentou a morte da criança, mas disse não ter relação com o acidente. A empresa afirmou ainda que melhorou mais de 75 km de estradas públicas e que cumpre todas as exigências legais para seus empreendimentos.

A comunidade, que vive da agricultura familiar, afirma que, apesar das promessas de geração de empregos, poucos moradores foram contratados. Para eles, ficaram os prejuízos e a dor.

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