Cidades
A polêmica em torno da Creche Casulo Vovó Ana, em Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador, ganhou novos desdobramentos após o envio de um memorando da Secretaria Municipal de Educação (SEMED), datado de 20 de janeiro de 2026, obtido pelo BNEWS.
O documento foi encaminhado à Associação Beneficente Ilê Asé Opó Aganjú, responsável pela creche que funciona há quase quatro décadas em um terreiro histórico do município, e responde às críticas feitas pela entidade sobre a proposta da Prefeitura de transformar o espaço em um centro cultural. O texto detalha as providências administrativas que a pasta afirma já estarem em curso.
O embate começou no início do mês, quando o Ilê Asé Opó Aganjú repudiou publicamente a iniciativa da gestão municipal, alegando que a medida representaria o fechamento da creche.
A Prefeitura, por sua vez, justificou a proposta afirmando que o número de alunos matriculados não seria suficiente para manter a estrutura atual e defendeu a criação do Centro de Referência Étnico-Racial Vovó Ana, voltado para a valorização da ancestralidade e da memória do terreiro.
No novo memorando, assinado pela secretária de Educação, Tamires Silva de Andrade, a Prefeitura esclarece que a decisão de retirar o corpo administrativo e funcional municipal da creche faz parte de um processo de reorganização administrativa, o que representa um esvaziamento do funcionamento da unidade enquanto equipamento de educação infantil.
“A opção administrativa de não manter, de forma permanente, corpo técnico e administrativo municipal, decorre de um processo de reorganização administrativa orientado pelo planejamento educacional. Tal direcionamento permite maior integração pedagógica, melhor acompanhamento administrativo e maior efetividade na implementação das políticas públicas educacionais”, afirma a secretária.
O documento também garante que não haverá prejuízo ao direito à educação das crianças atendidas:
“Importante destacar que tal decisão não implica prejuízo ao direito à educação, tampouco à continuidade do atendimento educacional das crianças atendidas, uma vez que o Município garantirá o adequado remanejamento dos estudantes para unidades da rede municipal, localizadas em distância compatível, assegurando condições equivalentes de acolhimento, acompanhamento pedagógico e infraestrutura”.
O memorando, no entanto, não detalha quais seriam essas unidades nem quais critérios são utilizados para definir o que a gestão considera “distância compatível”.
Além disso, segundo o documento, a secretária reforça que a decisão tem como objetivo reorganizar a rede e garantir melhor uso dos recursos públicos.
“A medida ora adotada visa, portanto, otimizar a alocação de recursos humanos e financeiros, assegurando que sejam aplicados de forma equilibrada e alinhada às necessidades da rede pública municipal como um todo, sempre com observância aos princípios da eficiência, da razoabilidade e do interesse público”, diz a titular da pasta, reforçando a justificativa de que a retirada da equipe da creche não se trataria de descontinuidade do atendimento, mas de uma estratégia administrativa voltada para a eficiência da rede de ensino.
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