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MPBA solicita proteção para maior cemitério de escravizados da América Latina

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MPBA reforçou que o local deve ter mais de 100 mil corpos  |   Bnews - Divulgação reprodução/ Ascom
Bruna Rocha

por Bruna Rocha

Publicado em 27/05/2025, às 11h00 - Atualizado às 11h40



O Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA) intimou, nesta segunda-feira (26), a Santa Casa de Misericórdia da Bahia para garantir a preservação do local que pode ser o maior cemitério de pessoas escravizadas da América Latina. A informação foi divulgada durante coletiva de imprensa na sede do MPBA, no bairro de Nazaré, em Salvador.

Conforme especialistas, o cemitério, que está localizado no estacionamento da Pupileira, deve abrigar mais de 100 mil corpos de escravizados, pessoas que viviam à margem da sociedade, como pobres, indigentes, não-batizados, excomungados, suicidas, prostitutas, criminosos e insurgentes. 

As escavações, realizadas em duas áreas de 1 por 3 metros e 2 por 1 metros, revelaram ossadas a 2,7 metros de profundidade, incluindo dentes ossos largos. Devido à fragilidade e valor histórico dos ossos, o local deve ser preservado. 

O processo para reconhecimento do sítio arqueológico foi encaminhado ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e, caso seja reconhecido, o local será conhecido como ‘Sítio arqueológico Cemitério dos Africanos’.

Conforme os pesquisadores, o terreno ácido e úmido deixou o material extremamente frágil e, por se tratar de um patrimônio sensível, a equipe de arqueólogos optou por não divulgar imagens das ossadas e nem as retirar do local.

Outros pequenos fragmentos de ossos encontrados pelos pesquisadores serão encaminhados para a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e permanecerão guardados lá até serem decididos os novos passos da pesquisa.

“A partir dessa positivação das suspeitas que havia em relação à existência desse cemitério, o Ministério Público agora adotará providências para preservar esse local, que já deve ser considerado um sítio arqueológico. Daqui para frente temos muitos caminhos de como construir coletivamente essas soluções e o Ministério Público inicia um processo no sentido de respeito a todos os interesses dos grupos envolvidos nessa descoberta”, destacou a promotora de Justiça Lívia Vaz.

De acordo com Silvana Olivieri, o local é considerado parte do antigo Cemitério do Campo da Pólvora, que teria funcionado entre o final do século XVII e meados do século XIX.

“Esse cemitério foi invisibilizado por camadas de aterro que escondiam a verdadeira história da cidade. Mas ele estava ali, esperando ser encontrado. Estamos diante de uma reparação histórica”, declarou o arqueólogo Luiz Antônio Pacheco. 

Também presente no evento, o superintendente do Iphan na Bahia, Hermano Queiroz, reforçou o compromisso de oficializar o local como patrimônio histórico. 

“Vamos esperar que o sítio arqueológico seja registrado no Iphan e em breve faremos uma audiência pública para discutir com a sociedade e as entidades envolvidas os próximos caminhos para a preservação do local como um bem de natureza cultural, material e também imaterial”, afirmou. 

Classificação Indicativa: Livre

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