Cidades
A paralisação anunciada pelo Sindicato dos Professores no Estado da Bahia (SINPRO-BA), marcada para começar nesta segunda-feira (20) e também acontecer em 22 e 24 de julho, pode afetar o calendário letivo das escolas particulares, segundo apuração do BNews. A mobilização está prevista para ocorrer sempre nos 50 minutos iniciais das primeiras aulas e faz parte da campanha salarial dos professores da rede privada.
Em meio ao impasse nas negociações da Convenção Coletiva de Trabalho, o presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado da Bahia (SINEPE-BA), Wilson Abdon, afirmou que a expectativa é de que o movimento tenha impacto limitado.
"Acreditamos que a paralisação não irá afetar a grande maioria das escolas. E, com isso, não teremos problemas nos nossos calendários e em garantir a unificação das férias em dezembro, como já tínhamos concordado com o Sinpro", declarou ao BNews.
Apesar do otimismo, o dirigente admitiu que um cenário de ampla adesão pode obrigar as instituições a reverem o planejamento para o fim do ano. "Caso a paralisação seja forte na maioria das escolas, a unificação das férias começa a ser questionada", acrescentou.
O movimento ocorre em meio a uma negociação marcada por divergências entre patrões e professores. Abdon afirmou que as reivindicações apresentadas pelo SINPRO-BA podem comprometer a sustentabilidade financeira das instituições de ensino privadas.
Segundo ele, o sindicato dos professores pede reajuste de 25% no piso salarial, correção dos salários pelo INPC com ganho real de 5%, remuneração por atividades relacionadas à inclusão escolar, além da oferta de planos de saúde e odontológico. Para o SINEPE-BA, essas medidas representam um custo incompatível com a realidade da maioria das escolas, especialmente as de pequeno e médio porte.
De acordo com o sindicato patronal, cerca de 65% a 70% do faturamento das escolas já é destinado ao pagamento das equipes pedagógica e administrativa, enquanto a margem operacional das instituições está abaixo de 4,5%. O setor também aponta queda nas matrículas da rede privada e aumento da inadimplência como fatores que pressionam ainda mais as contas das escolas.
Dados do Educacenso de 2025 mostram que a Bahia possui 2.573 escolas privadas, responsáveis por mais de 509 mil matrículas. Mais da metade dessas instituições atende até 200 estudantes, perfil que, segundo o SINEPE-BA, seria o mais afetado por um eventual aumento expressivo dos custos trabalhistas.
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