Justiça

Suzane von Richthofen: do assassinato dos pais aos planos de ter filhos

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Saiba mais sobre a vida de quem há 12 anos trocou o conforto pela prisão

Publicado em 02/11/2014, às 06h36    Reprodução    Redação Bocão News (Twitter:@bocaonews)

Na noite de 31 de outubro de 2002, Suzane von Richthofen matou em casa o pai e a mãe, com a ajuda do namorado, Daniel Cravinhos, e do irmão dele, Christian. O crime ocorreu há 12 anos. Ela foi condenada a 39 anos e seis meses de prisão e, salvo por alguns dias em liberdade, permaneceu encarcerada. O Brasil não a esqueceu. Na semana passada, ela falou pela primeira vez em oito anos, à revista Marie Claire.

Aos 30 anos, Suzane parece aceitar a vida na prisão e entender a dimensão do crime que cometeu, 12 anos atrás.“Não tem como olhar no espelho e não lembrar (do crime)”, disse. “Cometi um erro, vou lembrar dele para sempre. Todos os dias penso que queria acordar e ver que tudo foi um pesadelo.”

Suzane namora Sandra Regina Ruiz Gomes, condenada pelo sequestro e assassinato de um garoto de 14 anos, em 2002. Sandra era encarregada de negociar o pagamento do resgate. A quadrilha recebeu o pagamento, mas antes matou o adolescente. Na prisão, para ficar com Suzane, Sandra rompeu um namoro com Elize Matsunaga, presa por matar e esquartejar o marido, Marcos Matsunaga, executivo da fábrica de alimentos Yoki, em 2012.

As três cumprem pena na penitenciária de segurança máxima de Tremembé, a 140 quilômetros de São Paulo. Autores de crimes que chocaram o país demandam segurança máxima pelo risco de ser atacados por colegas de cela. Organizado em quatro unidades, a prisão tem capacidade para 1.500 detentos. A ala feminina reúne condenadas como Anna Carolina Jatobá, presa pela morte de sua enteada, Isabella Nardoni, em 2010.

Casar-se na penitenciária é assinar um documento de reconhecimento afetivo. Significa também conseguir transferência para uma área específica do presídio, mais espaçosa e tranquila. Suzane e Sandra dividem espaço com oito casais. Antes de assumir um relacionamento homossexual, Suzane entrara também para o grupo de evangélicos. Em presídios, integrar-se a grupos religiosos é uma forma comum de conseguir  apoio e proteção.


Suzane estudava Direito na PUC de São Paulo quando, aos 18 anos, decidiu matar pai e mãe, enquanto eles dormiam, e ficar com a herança. Ainda hoje, parece inconcebível a muitos que uma jovem bonita, com vida materialmente confortável, pudesse tramar um duplo assassinato bárbaro. Na época do julgamento, em 2006, muitos atribuíram a conduta de Suzane à má influência dos irmãos Cravinhos. Numa entrevista ao programa Fantástico, da TV Globo, à época do julgamento, Suzane chorou ao falar sobre o caso. Quando pensou que as câmeras e microfones estavam desligados, trocou o choro por um sorriso. Na prisão, em 2009, acusou um promotor público de, apaixonado por ela, cometer assédio sexual. Ele foi punido.

Detentas afirmam que Suzane está “mais sorridente e conversadora” nos últimos meses. Até participou como jurada no Concurso Miss Primavera 2014 pela primeira vez. Autorizada em agosto a cumprir a pena em regime aberto, preferiu ficar presa. Na cadeia, gosta de bordar e ler livros de autoajuda. “Quero que as pessoas saibam que sou um ser humano comum. Cometi um erro, pago por ele e quero recomeçar minha vida”, diz.

Suzane afirma também sonhar em se tornar mãe e fazer as pazes com Andreas, seu irmão mais novo, que não vê desde o julgamento. “Meu grande sonho é me reconciliar com meu irmão”, diz. “Dele, quero apenas o amor e o perdão.” Em outubro, Suzane abriu mão de disputar a herança da família. “Não tenho direito ao que era dos meus pais, nada daquilo me pertence.” Uma jovem com vida confortável optar por cometer um crime bárbaro desafia a compreensão da maioria. Acreditar que a assassina dos pais tenha casado por amor e planeja ter filhos não exige compreensão – apenas fé na capacidade humana para mudar e se arrepender.


Publicada no dia 1° de novembro de 2014, às 12h26 

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