Justiça
por Natane Ramos
Publicado em 25/08/2026, às 20h02
O advogado Ives Bittencourt, conhecido por atuar na defesa da comunidade LGBTQIAP+ e de grupos vulneráveis, relatou ter sido vítima de assédio por parte de um homem que se passou por um cliente com a intenção de contratá-lo para uma defesa judicial, em Salvador. Nesta terça-feira (25), o profissional deu detalhes sobre o ocorrido em um vídeo postado nas redes sociais.
Segundo o relato do advogado, o homem teria procurado seus serviços para tentar se defender das supostas acusações realizadas por uma mulher, que o teria processado por assédio após uma relação sexual entre os dois no ambiente de trabalho.
"De repente esse suposto cliente começou a mandar mensagem perguntando se eu era heterossexual ou não. Eu falei que não era, que sou um homem gay, inclusive cheguei a falar para ele que não teria mesmo como atendê-lo e daí ele começou a me assediar. Primeiro mandou um vídeo do suposto sexo dele com a funcionária, eu não abri o vídeo, obviamente. E posterior a isso, ele chegou a atravessar o meu próprio corpo, falando que curtia sexo no sigilo, que ele precisava desestressar", revelou o profissional no desabafo.
Conforme apuração do BNews, o homem é residente no estado do Maranhão e entrou em contato via WhatsApp para assediar o profissional, usando a desculpa de querer contratar os serviços de Bittencourt.
Nas mensagens, o acusado aparece fazendo propostas indecentes ao advogado. "Você não é hétero? Ficou desconfortável com o meu pa*?", questionou. "Tá tudo bem se tiver gostado, eu curto sigilo. Tô precisando desestressar", acrescentou na mensagem.
Mesmo com a recusa de Bittencourt, o suspeito continuou a enviar mensagens indevidas para o advogado. "E só tem esse vídeo eu comendo ela", declarou ao falar sobre o registro. "Você viu o vídeo, Dr.? Foi mal se você ficou de p*u duro", comentou.
Registro do boletim de ocorrência
Ives Bittencourt revelou que registrou um boletim de ocorrência, refletindo sobre o impacto do assédio sofrido. "E você percebe que o violador saiu da violência do corpo feminino e veio agora para violência contra o corpo gay. Eu bloqueei ele, fiz um boletim de ocorrência, mas é assustador, né, primeiro que visivelmente quem olha minhas redes sociais sabe que eu sou advogado, que eu jamais atenderia um caso como esse, que eu trabalho com direitos humanos defendendo comunidades socialmente vulnerabilizadas. Então assim, ele mandou uma mensagem para um advogado sem sequer pesquisar sobre esse advogado, cometeu violência não só com ela, porque eu acredito com certeza que ele cometeu violências com ela pelo próprio modus operandi dele, mas também cometeu violências comigo", declarou.
O advogado reforçou a importância de analisar o caso como um crime e não como uma investida ou uma brincadeira. "Ainda bem que eu tô com a terapia em dia, espiritualizado, mas não não deixo de ficar chateado, né, tento às vezes até levar na na brincadeira não, que crime não é brincadeira, mas levar, enfim, de uma forma que não venha me machucar tanto, né, que eu não leve isso para o meu coração, porque isso é sobre ele, não sobre mim. Mas é extremamente desconfortável. E sempre um homem cis, branco, hétero, né, autodeclaração, não posso fazer nada, mas seguimos. O boletim tá aí, juntei todas as provas, tá, consultei também os colegas que atuam com violência de gênero, com, enfim, com área criminal de forma mais incisiva do que a minha, e vamos aguardar os próximos passos", concluiu.
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