Justiça

Burnout dispara no Brasil e afastamentos por transtornos mentais acendem alerta sobre direitos previdenciários

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O advogado Eddie Parish alerta sobre a importância de documentar o histórico médico para garantir direitos em casos de burnout  |   Bnews - Divulgação Foto: Divulgação
Claudia Cardozo

por Claudia Cardozo

claudia.cardozo@bnews.com.br

Publicado em 19/05/2026, às 12h40



O avanço dos casos de burnout no Brasil acendeu um sinal vermelho definitivo. Dados do Ministério da Previdência Social revelam que as licenças médicas por esgotamento profissional explodiram 823% em apenas quatro anos.

Em 2021, o governo federal concedeu 823 benefícios por incapacidade temporária pela síndrome. Já em 2025, o número saltou para impressionantes 7.595 concessões. O cenário geral da saúde mental do trabalhador também preocupa. Após um ano de 2025 trágico, com mais de 534 mil afastamentos por transtornos mentais, o início de 2026 trouxe uma oscilação tímida.

Entre janeiro e março deste ano, o Brasil registrou 105.874 saídas por incapacidade mental. O número representa uma queda de 3% em comparação com o mesmo período do ano passado, mas o patamar segue alarmante.

Rotina esmagadora

Especialistas apontam que a conta cobrada do trabalhador envolve pressões que vão muito além do cansaço físico comum. Jornadas exaustivas, metas abusivas, cobrança diária por produtividade, episódios frequentes de assédio moral e a falta de suporte psicológico dentro das empresas são os principais gatilhos para o adoecimento.

Toda essa pressão deságua diretamente nos guichês do INSS. O advogado Eddie Parish, sócio do escritório Parish & Zenandro Advogados e especialista em causas contra o INSS, chama a atenção para o fato de que a maioria das pessoas não sabe como agir quando o corpo e a mente colapsam.

O burnout não pode mais ser jogado para debaixo do tapete como se fosse preguiça ou falta de motivação. Quando o trabalhador adoece por culpa das condições do ambiente profissional, ele tem direito ao afastamento pelo INSS e, em muitos casos, ao reconhecimento da doença ocupacional”, explica o advogado Eddie Parish.

Direitos garantidos

A virada de chave ganhou força desde que a Organização Mundial da Saúde (OMS) incluiu a síndrome na Classificação Internacional de Doenças (CID-11). Mas o advogado faz um alerta: para garantir direitos específicos, o trabalhador precisa comprovar o vínculo direto entre o quadro clínico e a atividade exercida.

Caso o nexo causal seja comprovado, o leque de garantias legais é amplo:

  • Auxílio por incapacidade temporária;
  • Estabilidade de um ano no emprego após o retorno;
  • Manutenção do recolhimento do FGTS pela empresa durante o afastamento;
  • Possibilidade de indenização na Justiça caso fique provada a negligência da empresa.

Por isso, a recomendação do advogado Eddie Parish é blindar o histórico médico desde o primeiro sinal de esgotamento. O profissional deve juntar laudos detalhados, relatórios do psiquiatra ou psicólogo, receitas de medicamentos, exames e até mensagens ou e-mails que comprovem a rotina abusiva.

Tem muita gente batendo cartão e trabalhando à base de tarja preta por puro pânico de ser demitida ou por achar que está desamparada. Ter um acompanhamento médico sério e o direcionamento de um profissional de Direito muda o jogo nessas horas”, reforça o advogado Eddie Parish.

Debate nacional

A gravidade da situação também acelerou a urgência por mudanças na legislação. O mercado agora discute a revisão da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que deve passar a exigir das empresas regras muito mais duras de fiscalização e prevenção contra os riscos psicossociais.

No fim das contas, a estatística deixa claro que a crise de saúde mental nas empresas deixou de ser um problema íntimo. Trata-se de um gargalo social, trabalhista e previdenciário que exige resposta imediata.

Classificação Indicativa: Livre

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