Cátia Raulino é condenada a dez anos de prisão por uso de diplomas falsos e plágio; pena ainda pode aumentar
Cátia Regina Raulino foi condenada a dez anos de prisão por apresentar diplomas falsos e plagiar trabalhos de alunas na Bahia. | Reprodução
Publicado em 15/08/2025, às 15h49 - Atualizado às 15h55 Matheus Simoni e Thiago Teixeira
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A Justiça da Bahia condenou a ex-coordenadora do curso de Direito da Faculdade Ruy Barbosa (UniRuy), Cátia Regina Raulino, por uso de documentos falsos e violação de direitos autorais. A decisão, proferida pela 2ª Vara Criminal Especializada de Salvador, concluiu que a ré apresentou diplomas inexistentes para assumir cargos acadêmicos e plagiou trabalhos de ex-alunas. A decisão é do dia 16 de maio.
De acordo com a sentença, obtida pelo BNews, Raulino se fez passar, durante cerca de oito anos, por advogada e bacharela em Direito. Para isso, usou diplomas de graduação e pós-graduação supostamente emitidos por instituições como a Universidade Federal do Maranhão (UFMA), a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a Universidade Federal da Bahia (UFBA) e a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
No entanto, todos eram falsos, segundo as próprias universidades. Com esses documentos, ela chegou a ocupar cargos de prestígio, como a coordenação do curso de Direito da faculdade UniRuy e a docência em programas de mestrado da Unifacs, ambas na Bahia.
A investigação apontou também que a acusada publicou, como sendo de sua autoria, trabalhos acadêmicos produzidos por ex-alunas, na íntegra, em revistas científicas e livros. Depoimentos de vítimas e colegas de trabalho relataram ainda manobras da ré para obter vantagens profissionais, perseguições a outros docentes e até tentativas de impedir o andamento das apurações. Por conta disso, Cátia chegou a ser processada e condenada na esfera cível.
A decisão, assinada pela juíza Virginia Silveira Wanderley dos Santos Vieira, aponta que, ao utilizar títulos acadêmicos falsos, Cátia Raulino conseguiu ser aprovada em processos seletivos da Uniruy e da Unifacs para o cargo de professora e, posteriormente coordenadora.
Por meio de sua simpatia, carisma e aparente domínio de conteúdos jurídicos, angariava a confiança dos alunos, plagiando seus trabalhos de conclusão de curso, ainda que parcialmente, a fim de obter lucro, indiretamente, consistente em destaque acadêmico, que lhe permitia ascensão em sua 'carreira profissional', notoriedade e até retorno financeiro, advindo de conteúdos jurídicos comercializados em plataformas on-line, seminários e outros eventos", disse a juíza.
A magistrada ainda julgou as acusações de uso de documentos falsos. Na sentença, ela diz que ficou comprovado que Cátia Raulino fraudou a comprovação de que ela possuía a titulação. Veja:
Decisão da juíza aponta que Cátia Raulino fraudou documentações (Foto:BNews)
O Ministério Público pediu a condenação pelos crimes de uso de documento falso e violação de direitos autorais, além de indenização por danos morais às vítimas. A defesa alegou nulidades processuais e negou dolo nas acusações de plágio, mas as preliminares foram rejeitadas pela Justiça.
A decisão imputou uma pena de dez anos de prisão. A defesa da ex-coordenadora apresentou recurso ao TJ-BA, que ainda não foi julgado. Com a revelação do caso, Cátia deixou Salvador. De acordo com apuração do BNews, ela hoje mora em Balneário Camboriú, em Santa Catarina, em um imóvel de alto padrão.
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