Justiça

Desembargador será investigado após fala considerada machista e preconceituosa

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Desembargador já foi condenado por violência doméstica em 2023  |   Bnews - Divulgação Reprodução / YouTube

Publicado em 06/07/2024, às 10h25   Cadastrado por Lucas Pacheco



O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) irá investigar a conduta do desembargador do Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) Luis Cesar de Paula Espíndola, que, durante um julgamento da Corte Estadual, que analisava um caso de assédio de um professor contra uma aluna de 12 anos em Curitiba, afirmou que "as mulheres estão loucas atrás de homens"

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A decisão foi tomada, nesta sexta-feira (05), pelo Corregedor Nacional de Justiça, ministro Luis Felipe Salomão, após abertura de reclamação disciplinar por "discurso potencialmente preconceituoso e misógino". 

Além de afirmar que "mulheres estão loucas atrás dos homens", o magistrado ainda criticou o que chamou de "discurso feminista desatualizado".

"Se Vossa Excelência sair na rua hoje, quem está assediando, quem está correndo atrás de homens são as mulheres, porque não tem homem. Hoje em dia, o que existe é que as mulheres estão loucas atrás dos homens, porque são muito poucos. A mulherada está louca atrás de homem", disse.

Veja:

Chama atenção o fato de que o mesmo desembargador foi condenado, em 2023, pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), por violência doméstica.

Segundo Luis Felipe Salomão, a investigação é necessária para averiguar a conduta do desembargador. 

"São situações envolvendo possível revitimização de mulheres em processos em curso, indícios de tratamento jocoso envolvendo questões de gênero direcionado a advogadas, magistradas e partes ao longo de julgamentos, e inobservância de normas voltadas à garantia do direito das mulheres, como prerrogativas de advogadas, por exemplo", afirmou Salomão.

O que diz a defesa

Em nota, Luis Cesar de Paula Espíndola disse que não teve a intenção de "menosprezar o comportamento feminino".

"Esclareço que nunca houve a intenção de menosprezar o comportamento feminino nas declarações proferidas por mim durante a sessão da 12ª Câmara Cível do tribunal. Afinal, sempre defendi a igualdade entre homens e mulheres, tanto em minha vida pessoal quanto em minhas decisões. Lamento profundamente o ocorrido e me solidarizo com todas e todos que se sentiram ofendidos com a divulgação parcial do vídeo da sessão", declarou.

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