Justiça

Ex-estagiária diz que foi beijada à força por desembargador que absolveu homem por estupro: 'Me senti um nojo'

Divulgação/TJMG
Outras vítimas também relataram os abusos cometidos pelo desembargador  |   Bnews - Divulgação Divulgação/TJMG
Redação BNews

por Redação BNews

redacao@bnews.com.br

Publicado em 05/03/2026, às 08h00



Uma ex-estagiária do desembargador Magid Nauef Láuar, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG), afastado do cargo por suspeita de abusos sexuais, afirmou ter sido beijada à força pelo magistrado quando trabalhava com ele e era sua aluna na faculdade.

Em entrevista ao programa Fantástico, da TV Globo, a jovem contou que tinha 20 anos na época em que atuava como estagiária e também frequentava as aulas ministradas pelo desembargador. Segundo ela, o episódio aconteceu durante um almoço.

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"Em um determinado momento, de forma inesperada, ele veio e me deu um beijo na boca, sem o meu consentimento. Eu me senti invadida, senti nojo, fiquei muito constrangida. Aquilo me marcou profundamente. Eu não voltei mais para o estágio", relatou.

Outro denunciante é Saulo Láuar, primo do magistrado. Ele afirmou ter sofrido abuso quando tinha 14 anos, período em que atuava como assistente pessoal do desembargador.

Também ao Fantástico, Saulo contou que foi abusado na casa de Magid. "Ele pediu que eu levasse o documento pra casa dele, que ele não iria ao fórum nesse dia. E quando eu sentei na cama, estava passando um vídeo, um filme pornográfico na televisão. Naquele momento ele pega a minha mão e leva até o órgão genital dele", contou.

Uma outra mulher, que preferiu não se identificar, também relatou ter sido vítima de abusos enquanto trabalhava com o juiz. Segundo ela, as agressões incluíam toques forçados e tentativas insistentes de beijo dentro do gabinete do magistrado, em Betim, no interior de Minas Gerais.

"Eu estava com uma calça jeans e ele enfiou a mão. Primeiro por trás, só que eu reagi. Aí, ele veio e enfiou a mão lá na frente. E eu fiquei muito assustada na hora e eu falei: abre a porta que eu quero sair. Aí, ele me encostou na parede e tentou me beijar, só que eu fiquei com a boca fechada e ele ficou enfiando a língua. Aí eu falei pra ele: se você não me soltar, eu vou gritar. Na época eu tinha muito medo. Porque ele é o juiz, né? né? O poder é dele, seria a minha palavra contra dele", disse a vítima.

Afastamento

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) decidiu manter o afastamento do desembargador Magid Nauef Láuar, investigado por suspeita de abuso sexual. Segundo o ministro Edson Fachin, a sessão foi fechada para proteger a intimidade das vítimas e dos envolvidos. 

As investigações tiveram início em 21 de fevereiro, após a Corregedoria abrir procedimento para analisar a atuação do magistrado em um processo que terminou com a absolvição de um homem de 35 anos acusado de estupro de vulnerável contra uma menina de 12 anos. A decisão gerou forte repercussão.

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