Justiça

EXCLUSIVO: “Não tenho relação com fraudes no INSS”, diz Nelson Wilians sobre operação da PF

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Em entrevista ao BNEWS, o advogado, conhecido por atender clientes de alto perfil e pela vida de ostentação nas redes sociais, comentou também sobre segurança jurídica.  |   Bnews - Divulgação Reprodução
Redação BNews com informações de Claudia Cardozo

por Redação BNews com informações de Claudia Cardozo

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Publicado em 29/05/2025, às 10h57 - Atualizado às 12h35



O advogado Nelson Wilians quebrou o silêncio e comentou, pela primeira vez, a citação de seu nome na Operação Sem Desconto, da Polícia Federal (PF), que apura supostas fraudes contra o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Durante entrevista exclusiva ao BNEWS, ele foi enfático ao afirmar que não há qualquer investigação formal contra ele.

Pegaram meu RIF [Relatório de Inteligência Financeira], que é apenas um relatório de movimentação financeira, e divulgaram como se houvesse algo ilegal. Ali está a movimentação de mais de 20 mil clientes, não é dinheiro do Nelson, é do escritório. O próprio inquérito mostra que não há investigação contra mim”, esclareceu.

Famoso por clientes poderosos e pela vida de ostentação exibida nas redes sociais, ele foi citado como possível responsável por movimentação de R$ 4,3 bilhões em operações suspeitas em um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). 

Segundo os investigadores, os pagamentos teriam sido feitos ao empresário Maurício Camisotti, investigado no esquema, que teria praticado descontos indevidos em salários de aposentados.

Wilians também criticou a exposição indevida de dados sensíveis. “Lamento apenas pela exposição de informações de pessoas que nada têm a ver com isso. É algo que não deveria acontecer”, pontuou.

Apesar da repercussão, o advogado fez questão de elogiar a atuação atual da Polícia Federal, destacando avanços na condução de operações. “Melhoramos muito. Na época da Lava Jato, aquilo sim foi um espetáculo deprimente. Hoje não vemos mais isso”, avaliou.

Segurança jurídica
Ainda em entrevista, o advogado comentou os riscos da insegurança jurídica e defendeu a inovação como caminho para o fortalecimento da advocacia e do ambiente de negócios no país.

“Segurança jurídica é previsibilidade. E infelizmente, hoje, vivemos um ambiente onde decisões judiciais se contradizem, leis se sobrepõem e muitas vezes até a ideologia de quem julga interfere nos resultados. Isso afasta investimentos e prejudica quem quer empreender”, afirmou.

Ao comentar a recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que suspendeu processos trabalhistas envolvendo terceirização, Nelson Wilians avaliou a medida como positiva. “Vejo como benéfica. A reforma trabalhista de 2018 trouxe regras claras, mas infelizmente há decisões na Justiça do Trabalho que ignoram a lei, numa tentativa de fazer uma pseudo justiça social ao arrepio das normas. Isso gera insegurança. O Supremo está correto ao buscar colocar ordem.”

Inteligência artificial e empreendedorismo na advocacia
Wilians também destacou o papel da tecnologia e da inteligência artificial no futuro da advocacia. Para o advogado, os profissionais que não se adaptarem às mudanças digitais correm o risco de ficar para trás. “Não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se adapta. A advocacia precisa se reinventar, entender que é possível, sim, empreender dentro do próprio setor jurídico”, pontuou.

O advogado contou que sua própria trajetória é exemplo desse movimento. “Nunca estagiei em escritórios. Aprendi observando clientes empreendedores de diversos ramos. Apliquei isso na advocacia. E deu certo. Hoje estamos em todos os estados, com mais de 20 mil clientes pessoas jurídicas”, revelou.

Compromisso com o Brasil
Ao encerrar a entrevista, Nelson Wilians reforçou que a luta pela segurança jurídica não é uma pauta apenas de advogados, mas de toda a sociedade. “Se queremos atrair investimentos, gerar emprego, fortalecer empresas e construir um país melhor, precisamos garantir que o Brasil seja, de fato, um estado de direito, onde as leis valem para todos e onde as regras são claras.”

Assista a entrevista na íntegra:

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