Justiça
Inscrições de apologia ao nazismo têm aparecido, desde o início deste ano, em paredes e mobiliários do histórico prédio das Arcadas - a Faculdade de Direito da USP, no centro da capital paulista. Suásticas foram talhadas na madeira dos elevadores, mesas e cadeiras, e gravadas na placa de metal que identifica uma das salas de aula, e alarmaram a direção da Faculdade.
A faculdade não emitiu nota, de acordo com o portal Migalhas, mas informou que as providências estão sendo tomadas junto aos órgãos competentes.
Em reunião com professores titulares, o diretor da Faculdade, Celso Campilongo, também afirmou que a diretoria considerava a gravação de símbolos nazistas pelo campus intolerável e reforçou que os responsáveis, quando identificados, responderão por seus atos.
Segundo a vice-diretora, Ana Elisa Bechara, a faculdade comunicou grupos que monitoram esse tipo de crime no Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e no Ministério Público Federal (MPF). A conduta, diz ela, pode levar à expulsão da faculdade.
Ao Estadão, a vice-diretora explicou que "não são exatamente suásticas", e que os símbolos foram feitos de forma errada. "Até nisso vemos uma covardia. Não são símbolos que partem de nada institucionalizado, são feitos de forma escondida."
Ela afirmou que o uso de câmeras de vigilância "não combina" com o ambiente da Faculdade de Direito, o conhecido "território livre" das Arcadas. A ausência dos equipamentos, porém, dificulta a identificação dos responsáveis.
Ela observou que os discursos de ódio ou racistas apareceram, de maneira anônima, com maior frequência depois das cotas e da maior diversidade de alunos na faculdade. A adoção da política de cotas na USP se deu em 2017 e a primeira turma de alunos cotistas da São Francisco se formou em 2023.
Levantamentos da própria USP mostravam que, no início dos anos 2000, a faculdade seguia sendo local de formar filhos da elite brasileira: o curso de Direito era aquele que, dentro de toda USP, tinha mais aprovados vindos de famílias com renda superior maior.
Além das cotas, outra diferença é que, na década de 90, a maioria dos estudantes era de São Paulo. Hoje, a faculdade está mais "nacionalizada", impulsionado pelo processo seletivo nacional, por meio do Enem.
"Isso dá uma cara muito diferente à faculdade, que está mais colorida, tem essa mistura de alunos. Tenho alunos dessa elite socioeconômica de São Paulo e também aluno filho de pessoa em situação de rua. Isso muda a própria forma de convivência, a agenda de pesquisa da faculdade, enriquece o debate, mas coloca a sociedade para conversar”, finalizou.
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Cadastrado por Lorena Abreu
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