Justiça
A retirada da foto de uma chef de cozinha negra exposta no Fórum de Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador, ganhou repercussão após a divulgação de um vídeo feito pelo advogado baiano denunciando um possível caso de racismo religioso.
A acusação feita pelo advogado Marinho Soares se baseia em um ofício assinado por um juiz no dia 20 de fevereiro, sugerindo a retirada de uma fotografia da exposição montada no térreo do prédio. No documento, obtido pelo BNEWS, o magistrado César Augusto Borges de Andrade alegou que a imagem retratava uma personagem “vinculada à religião de matriz africana” e, por isso, não deveria permanecer no espaço público.
No documento, ele justifica que “o procedimento não me parece condizente nas instalações deste prédio público, onde circulam partes, advogados e servidores que professam diferentes matrizes religiosas, considerando que a Constituição Federal estabelecem que o Estado é laico, portanto, para a devida igualdade de tratamento entre as diferentes crenças pelos entes públicos”.
Ainda segundo o ofício, o magistrado sugere a “retirada da referida exposição fotográfica no espaço público deste Fórum de Camaçari ou, alternativamente, que o espaço seja destinado também a outros fotógrafos domiciliados na comarca, vinculados a diferentes matrizes religiosas”.
Conforme apurado pelo BNEWS, no dia 25 de fevereiro, o diretor do fórum, juiz José Francisco de Oliveira de Almeida, determinou a retirada provisória do quadro. Além disso, ordenou que fossem constituídos autos administrativos junto à Administração do Fórum e que fosse oficiada, a título de consulta, a unidade patrimonial do Tribunal de Justiça, para averiguar as respectivas normas procedimentais.
Marinho classificou o pedido como “revoltante” e acusou o juiz de praticar racismo religioso. “Esse juiz é preconceituoso. Ele só enxergou religião de matriz africana, mas ignorou que ao lado havia a foto de uma mulher negra carregando um Santo Antônio. Isso é racismo religioso”, afirmou.
Quem aparece na fotografia em questão é Solange Borges, chef de cozinha, educadora e empreendedora social baiana, idealizadora do projeto Culinária de Terreiro em Camaçari (Agrovila Pinhão Manso), reconhecido internacionalmente. Solange é iniciada no Candomblé, atua como cozinheira ritualística (Iaô) e utiliza a gastronomia para valorizar a ancestralidade afro-brasileira. Já a outra imagem citada pelo advogado, também exposta no local, é de Dona Jandira, a mais antiga rezadeira de Santo Antônio na cidade e avó do cantor O Kanalha.

Marinho disse esperar que o Tribunal de Justiça da Bahia tome providências contra o magistrado. “Ele é racista e eu que tô falando! O que ele pratica é racismo religioso. Vergonha, doutor!”, concluiu.
Juiz sugere retirada de foto de chef de cozinha negra em fórum de Camaçari e advogado Marinho Soares reage: 'racista' pic.twitter.com/VGbCnIzHxT
— bnewsvideos (@bnewsvideos) March 3, 2026
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