Justiça
por Bruna Rocha
Publicado em 15/11/2025, às 13h30
Ana Paula Gomes de Oliveira, de 48 anos, recebeu nesta semana o Prêmio Martin Ennals, considerado o “Nobel dos Direitos Humanos”. A defensora é mãe de Johnatha, que tinha 19 anos quando, em 2014, atravessou um tumulto entre policiais e moradores da favela de Manguinhos, no Rio de Janeiro. Um agente da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) disparou e atingiu o jovem pelas costas. O processo segue sem desfecho e aguarda um novo julgamento.
Segundo a instituição responsável pelo prêmio, a homenagem reconhece o trabalho de Ana Paula na denúncia da violência de Estado e na defesa de mães e familiares de vítimas da letalidade policial.
Transformando o luto em luta, Ana Paula cofundou o movimento Mães de Manguinhos, coletivo formado por mulheres negras que denunciam o racismo institucional e cobram responsabilização do Estado em casos de homicídios, prisões ilegais e outras violações.
A ativista também integra a Rede de Assistência às Vítimas da Violência de Estado (Raave), que oferece apoio psicossocial às famílias e articula propostas de reformas legislativas.
“Sinto que uma parte de mim morreu com meu filho. Através da minha luta, encontrei uma maneira de manter meu papel materno. Se eu parar de fazer isso, eu morro”, afirmou Ana Paula em entrevista à Agência Brasil.
Ela reforçou ainda que a violência estatal permanece presente nas periferias:
“A ditadura acabou para a classe média e para os artistas. Na favela, ela nunca terminou. A prática de tortura, de desaparecimentos forçados e assassinatos continua, por meio do braço armado do Estado”.
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