Justiça
A trajetória de Fernanda Fernandes não começou nos corredores de Brasília, mas no relato de sobrevivência de seus pais. Filha de nordestinos que trocaram o Piauí e o Ceará por um cortiço na Baixada Fluminense para não morrer de fome, a hoje presidente da Associação Nacional das Defensoras e Defensores Públicos (Anadep) carrega no DNA a urgência de quem sabe que o Direito, no papel, não enche barriga nem garante leito de hospital.
Em entrevista exclusiva à coluna Justiça, do BNews, Fernanda deixou de lado o "juridiquês" para falar de uma missão que é, antes de tudo, uma reparação histórica. "Quem vem de histórias parecidas não tem como não ter um olhar diferente", desabafou. Para ela, cada pessoa que busca a Defensoria não é apenas um "assistido", mas um espelho: "Poderia ser um primo meu, uma tia... poderia ser alguém da minha família ou poderia ser eu mesma".
O "peso" que a política não quer carregar
Enquanto o Maio Verde celebra a existência da instituição, Fernanda aproveitou o encontro na capital federal para falar da importância orçamentária. A conta é simples, mas dolorosa: apesar de ser a porta de entrada para mais de 29 milhões de famílias vulneráveis, a Defensoria ainda é tratada como "caridade" por setores do poder público.
A resistência em garantir orçamento e autonomia, segundo a presidente, tem um alvo claro. "Não adianta você ter direitos se você não tem uma forma de efetivá-los", pontuou. Ela critica a visão de parlamentares que enxergam o fortalecimento da carreira como um custo desnecessário. "Há aqueles que veem a instituição como mais um peso estrutural... sem considerar que é o direito a ter direitos", disparou.
O escudo contra o próprio Estado
A conversa também revelou o lado perigoso da profissão. Fernanda destacou que o defensor público é, muitas vezes, o único capaz de peitar o próprio Estado quando este se torna o agressor, seja em casos de violência policial, negligência em presídios ou na falta de vagas em UTIs, um drama latente na Bahia com a questão da regulação.
"Temos a nossa autonomia e independência para garantir a defesa do ser humano quando o estado é o violador", explicou. Sem estrutura e simetria com as demais carreiras da justiça, a balança continua desequilibrada contra o cidadão comum.
A entrevista completa, com detalhes sobre os bastidores da luta em Brasília e os desafios para levar a justiça ao interior da Bahia, você confere abaixo:
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