Justiça

Moraes proibiu PF de fazer espetáculo midiático na hora de colocar tornozeleira em Bolsonaro

Fabio Rodrigues-Pozzebom e Valter Campanato / Agência Brasil
O ex-presidente expressou indignação sobre as cautelares e a suspeita de fuga, afirmando que nunca planejou deixar o Brasil.  |   Bnews - Divulgação Fabio Rodrigues-Pozzebom e Valter Campanato / Agência Brasil

Publicado em 18/07/2025, às 12h15 - Atualizado às 12h33   Adelia Felix e Henrique Brinco



Na decisão em que autorizou buscas e apreensões contra Jair Bolsonaro (PL), obtida pelo BNEWS, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, determinou que a Polícia Federal (PF) evitasse qualquer tipo de exposição indevida do ex-presidente durante o cumprimento das ordens judiciais, entre elas, o uso da tornozeleira eletrônica.

“A autoridade policial responsável pelo cumprimento das ordens  judicias deverá EVITAR A EXPOSIÇÃO INDEVIDA do réu,  especialmente no cumprimento das medidas de condução à SEAPE/DF [Subsecretaria do Sistema Penitenciário do Distrito Federal] e de busca e apreensão, abstendo-se de toda e qualquer indiscrição, inclusive midiática”, determinou o magistrado.

Vários vídeos divulgados pela mídia e compartilhados em redes sociais mostram o momento em que o ex-presidente Bolsonaro deixava sua residência em Brasília, na manhã desta sexta-feira (18), para cumprir a decisão judicial que determinou o uso de tornozeleira eletrônica. Nas imagens, um carro preto com vidros escurecidos aparece saindo da casa do ex-presidente enquanto repórteres e fotógrafos registram a movimentação.

O trajeto teve como destino a sede da Polícia Federal, onde foi realizada a instalação do equipamento. A cena, embora discreta, atraiu a atenção de apoiadores, curiosos e da imprensa.

Após o procedimento, Bolsonaro falou brevemente com a imprensa. “Meus advogados tomaram conhecimento do inquérito que gerou as cautelares contra mim. É aquele que meu filho está respondendo nos EUA”, disse o ex-presidente. Ele acrescentou ainda que está proibido de sair de Brasília e que Eduardo deverá permanecer nos Estados Unidos: “Se ele vier pra cá, vai ter problemas”.

Em tom de indignação, Bolsonaro voltou a dizer que não pretendia sair do Brasil, mas reconheceu que a permanência por dois dias na embaixada da Hungria, em fevereiro de 2024, alimentou suspeitas de fuga. “No mais, nunca pensei em sair do Brasil, nunca pensei em ir para embaixada, mas as cautelares são em função disso. Tenho horário para ficar na rua. No meu entender, o objetivo é a suprema humilhação”, avaliou.

Questionado sobre o conteúdo de um pen-drive encontrado pela Polícia Federal em sua casa, Bolsonaro respondeu que não sabe do que se trata. Também comentou os cerca de 14 mil dólares localizados pelos agentes: “Tem mais ou menos US$ 14 mil. O dólar pego lá tem o recibo do Banco do Brasil. Declaro ano que vem no Imposto de Renda”, afirmou.

Bolsonaro voltou a repetir que não houve tentativa de golpe de Estado e que as acusações são infundadas:

“Nada de concreto existe ali, não tem prova de nada, um golpe no domingo, sem Forças Armadas, sem armas... Golpe de festim. Espero que seja técnico e não político. Não tenho a menor dúvida que é uma perseguição”.

Classificação Indicativa: Livre

Facebook Twitter WhatsApp Google News Bnews


Cadastre-se na Newsletter do Bnews (Beta)