Justiça
por Bruna Rocha
Publicado em 13/11/2025, às 11h15
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) ofereceu denúncia contra um narrador esportivo acusado de ser o mandante da tentativa de feminicídio da própria ex-companheira, motivado pela não aceitação do fim do relacionamento. A vítima, baleada nas costas após sair de uma academia, ficou paraplégica. Também foi denunciada uma mulher, apontada como autora dos disparos. O caso foi aceito pelo juiz Alexandre Betini, da Vara do Júri de Santos (SP), que decretou a prisão preventiva do acusado.
Segundo informações divulgadas pelo Vade News, a Justiça havia determinado inicialmente uma prisão temporária de 30 dias para o agora réu George Antônio Lunardi. Com a conclusão do inquérito e o oferecimento da denúncia, o MP solicitou a conversão da prisão em preventiva, pedido acolhido pelo magistrado. A coautora do crime, Elisabete Cristina Matias dos Santos, também teve prisão preventiva decretada, mas segue foragida.
Na decisão, o juiz destacou que há provas da materialidade do crime e indícios suficientes de autoria, justificando o início da ação penal. Betini ressaltou ainda que a prisão é necessária para garantir a ordem pública e assegurar a aplicação da lei penal, afirmando que “o delito descrito na denúncia é de tamanha crueldade que causou desassossego e inquietação na sociedade, notadamente em razão da periculosidade concreta dos agentes”.
Segundo o promotor Fábio Perez Fernandez, o crime foi uma emboscada planejada. Na noite de 3 de setembro, no bairro Bom Retiro, em Santos, Lunardi levou a comparsa em um Fiat Strada até o local onde a professora Micaelle Santos Hora foi atacada e ficou aguardando para dar fuga após os disparos. A mulher estava acompanhada da filha, de 15 anos, que também participou da ação e está desaparecida.
O MP enquadrou o caso como tentativa de feminicídio qualificado por motivo torpe e pelo emprego de recurso que impossibilitou a defesa da vítima, além do descumprimento de medida protetiva imposta ao radialista por violência doméstica anterior. Os dois também foram denunciados por corrupção de menor, prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Se condenados, Lunardi pode pegar de 17 a 40 anos de prisão, e Elisabete, de 6 a 26 anos.
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