Justiça
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) se prepara para julgar, entre junho e agosto deste ano, os Processos Administrativos Disciplinares (PADs) contra os magistrados baianos investigados na Operação Faroeste.
O caso é conhecido como o maior esquema de venda de decisões judiciais e grilagem de terras no oeste da Bahia.No entanto, o julgamento, sob a relatoria do conselheiro Rodrigo Badaró , deve inaugurar um imbróglio jurídico inédito e ditar os novos rumos da punição à magistratura no país.
Até recentemente, o desfecho mais severo na esfera administrativa para um juiz ou desembargador acusado de desvios graves era a polêmica aposentadoria compulsória, apelidada popularmente de "punição com prêmio". O magistrado era afastado mantendo proventos proporcionais ao tempo de contribuição à previdência.
Contudo, uma decisão histórica do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), proferida em maio deste ano, extinguiu a aposentadoria como punição do ordenamento jurídico.
O dilema dos conselheiros
Agora, o CNJ enfrenta um vácuo procedimental: sem a aposentadoria compulsória, como punir os envolvidos na Faroeste? Nos bastidores do CNJ, o clima é de indefinição. Informações obtidas em caráter reservado apontam que os conselheiros buscam uma punição exemplar, rechaçando meias-medidas.Ainda sem saber exatamente como será o rito, a intenção consensual é “botar pra fora” do quadro da magistratura os investigados.
Fontes ligadas ao Bnews indicam que o caso da Operação Faroeste tem tudo para inaugurar a nova jurisprudência: “Pode inaugurar a nova regra: fim da aposentadoria compulsória e demissão de magistrados”, disse uma fonte. O grande obstáculo é o "limbo" procedimental deixado pela decisão do STF. De acordo com a fonte, a decisão do ministro Flávio Dino não detalhou como a transição deve ocorrer na prática, o que abre margem para intensas batalhas judiciais."
A pena máxima direta na esfera administrativa passaria a ser a disponibilidade, onde o magistrado fica afastado, como se estivesse em um 'banco de reservas', podendo teoricamente retornar", uma das fontes que prefere se manter no anonimato.
"Contudo, a disponibilidade não pode ser perpétua, sob o risco de se transformar em uma aposentadoria disfarçada." O especialista aponta que, pela tese de Dino, para haver a demissão (perda definitiva do cargo), o CNJ ou o tribunal de origem devem encaminhar o caso para a Procuradoria-Geral da República (PGR) ou ao Ministério Público Federal (MPF). A partir daí, deve ser ajuizada uma ação específica de perda de cargo, conforme prevê a Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman).
Outro risco desta complicação é a prescrição: “A decisão que abre o PAD e depois a que condena gera interrupção da prescrição. Mas pode haver um estímulo sim, porque, sendo a pena de demissão a mais grave, o prazo de prescrição dela é a maior, sendo de 5 anos. As outras punições têm prazos menores, e neste aspecto, pode sim ser um incentivo”, avalia o especialista ouvido pelo BNews.
Judicialização à vista e o "Juízo Universal"
A indefinição procedimental deve fazer com que o caso Faroeste retorne ao STF, desta vez para discutir o rito das punições. "Esse procedimento gera uma série de dúvidas", analisa a fonte.
Toda e qualquer situação, mesmo as eminentemente locais, será encaminhada à PGR? O Supremo vai se transformar em um juízo universal para avaliar a perda de cargo de qualquer magistrado do país? Além disso, essa ação seria de natureza criminal ou de improbidade administrativa? Isso faz diferença na defesa. Qualquer que seja o desfecho, a situação vai acabar resvalando no Supremo novamente, seja por questionamento da defesa ou da acusação."
O rastro de aposentadorias
Até o momento, a devassa promovida pela Operação Faroeste, que implodiu a cúpula do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) em novembro de 2019, já resultou na punição administrativa de diversos membros do Judiciário baiano. O balanço das sanções aplicadas pelo CNJ e pelo próprio tribunal local expõe o tamanho do esquema.
Desembargadores aposentados compulsoriamente:
Juízes aposentados compulsoriamente:
Extinção de Punibilidade:
O relógio do STJ
Enquanto o CNJ tenta decifrar o nó administrativo para julgar os PADs remanescentes em agosto, o relógio corre na esfera penal. As ações criminais contra os magistrados tramitam no Superior Tribunal de Justiça (STJ) sob a relatoria do ministro Og Fernandes.
A Corte corre contra o tempo, já que o ministro tem aposentadoria prevista para agosto deste ano, o que deve provocar uma troca de relatoria em um dos processos mais complexos da história do Judiciário brasileiro.
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