Justiça

"Para socar tudo": Justiça do Trabalho condena empresa após piada de cunho sexual feita por supervisor

Divulgação
Fala do supervisor contra técnica de segurança aconteceu na frente de outros colegas  |   Bnews - Divulgação Divulgação
Bernardo Rego

por Bernardo Rego

Publicado em 18/05/2026, às 14h43



Após uma técnica de segurança ser vítima de assédio sexual dentro do ambiente de trabalho, por conta de uma piada feita por um supervisor, a Sétima Turma do Tribunal Superior do Trabalho (TST) reconheceu, por unanimidade, condenar a empresa no valor de R$ 20 mil por danos morais. O relator da matéria foi o ministro Alexandre de Souza Agra Belmonte.

A funcionária foi contratada para trabalhar em 2023 e designada a atuar em uma obra em São Paulo. Um mês após iniciar o trabalho foi alvo de uma brincadeira feita por um supervisor. Ele teria perguntado se a técnica de segurança gostava de paçoca, quando ela questionou o porquê da pergunta e ouviu: "para socar tudo". O supervisor também comentou sobre as peças íntimas que a funcionária usava se não grandes demais para um ambiente de trabalho.

O Tribunal Regional do Trabalho da 18ª Região (TRT - 18) não reconheceu o assédio sexual sob os fundamentos de que a conduta teria sido isolada, de menor gravidade, e que a empresa teria agido ao aplicar advertência ao agressor.

Contudo, o TST esclareceu que, no caso em questão, "é incontroverso que o superior hierárquico da autora dirigiu-lhe piada e comentário de cunho sexual, envolvendo inclusive referência a suas peças íntimas, em ambiente laboral e diante de colegas."

"A jurisprudência desta Corte Superior é firme no sentido de que um único
episódio, quando grave, é suficiente para caracterizar assédio sexual, por violar diretamente a dignidade e a integridade psíquica da vítima", disse o ministro em outro trecho do seu voto.

"Considerando a gravidade da conduta, a posição de liderança do agressor e os parâmetros desta Justiça Especializada, arbitro a indenização em R$ 20.000,00 (vinte mil reais), valor proporcional e razoável", escreveu Belmonte no voto seguido pelos ministros da Sétima Turma do TST.

Clique aqui e se inscreva no canal do BNews no YouTube!

Classificação Indicativa: Livre

Facebook Twitter WhatsApp Google News Bnews


Cadastre-se na Newsletter do Bnews (Beta)