Justiça

PF questiona destino de US$ 12,3 milhões enviados a fundo nos EUA ligado ao financiamento de Dark Horse

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Relatório aponta que o fundo nos EUA ficou inativo por quase quatro anos antes de receber os primeiros repasses da Entre Investimentos para a produção do filme  |   Bnews - Divulgação Divulgação
Eduardo Costa

por Eduardo Costa

redacao@bnews.com.br

Publicado em 12/09/2026, às 09h42



O documento da Polícia Federal sobre as investigações do filme "Dark Horse",  que teve o sigilo retirado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), na noite de sexta-feira (11), pede esclarecimentos do uso do dinheiro enviado ao Havengate Development Fund LP, fundo sediado nos Estados Unidos.

Segundo a corporação, a Entre Investimentos e Participações, empresa ligada a Antônio Carlos Freixo Júnior, o “Mineiro”, enviou US$ 12,33 milhões ao fundo ao longo de 2025.

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Os envios foram feitos entre os meses de fevereiro e setembro, apresentando sempre valores semelhantes às parcelas previstas em um acordo de financiamento de US$ 24 milhões para Dark Horse, então chamado de Capitão do Povo.

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Ainda de acordo com a PF, mensagens localizadas no celular de Vorcaro reforçam a ligação das transferências com o filme. 

Com dificuldades de fazer um pagamento destinado ao “filme”, em dezembro de 2025, Vorcaro orientou que a movimentação fosse feita  “via Entre”. Na sequência, Fabiano Zettel informou que o dinheiro seguiria para um “fundo”.

Alguns dias depois, Zettel encaminhou para Vorcaro um comprovante de transferência de US$ 2 milhões da Entre para o Havengate, realizada em 13 de fevereiro, e indicou que o pagamento era destinado ao filme.

Segundo a PF, o fundo foi criado no ano de 2020 com o objtivo de captar recursos destinados a um empreendimento imobiliário de US$ 21,1 milhões na cidade de Melissa, no Texas.

Conforme o relatório, a proposta estava vinculada ao programa EB-5, que permite a obtenção de residência permanente nos Estados Unidos por meio de determinados investimentos.

A PF aponta que o empreendimento imobiliário não chegou a ser concretizado e que o fundo permaneceu “operacionalmente inerte por quase quatro anos”. A movimentação só teria começado em fevereiro de 2025, quando o fundo recebeu os primeiros US$ 2 milhões da Entre Investimentos, vinculados ao financiamento do filme Dark Horse.

“A reativação de um fundo originalmente criado para fins imobiliários, dormente por anos, sem lastro em qualquer operação imobiliária ativa, como veículo de remessas internacionais vinculadas a uma produção cinematográfica, constitui circunstância objetiva que reforça a necessidade de apuração da compatibilidade entre o perfil do veículo financeiro utilizado e a destinação declarada dos recursos”, diz trecho do relatório da PF.

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