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Por que Daniel Vorcaro voltou a ser preso? Entenda o que está por trás da ordem de prisão do banqueiro

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O material apreendido foi considerado peça central para fundamentar o pedido de prisão preventiva  |   Bnews - Divulgação Divulgação
Redação Bnews

por Redação Bnews

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Publicado em 04/03/2026, às 07h46 - Atualizado às 07h49



A nova prisão do empresário Daniel Vorcaro, determinada nesta quarta-feira (4) pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, ganhou contornos ainda mais graves após a divulgação de trechos da decisão judicial. Além das mensagens que indicariam planos de intimidação contra adversários, a investigação aponta que o grupo liderado por ele teria acessado indevidamente sistemas restritos de órgãos públicos no Brasil e no exterior.

A medida atende a pedido de prisão preventiva apresentado pela Polícia Federal (PF) no âmbito da Operação Compliance Zero. Segundo a decisão, dados extraídos do celular de Vorcaro revelam a atuação de um grupo de WhatsApp batizado de “A Turma”, no qual eram discutidas estratégias contra concorrentes, ex-funcionários e jornalistas.

De acordo com o documento, um dos integrantes do grupo, identificado como Luis Phillipi de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, teria utilizado credenciais de terceiros para acessar bases sigilosas. As consultas envolveriam sistemas internos da própria PF, do Ministério Público e até do FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos Estados Unidos. A suspeita é de que as informações extraídas fossem usadas para monitorar investigações e mapear possíveis riscos ao grupo.

A decisão menciona ainda que Mourão receberia cerca de R$ 1 milhão por mês para executar as atividades. Também aparece entre os investigados o ex-policial Marilson Roseno da Silva. Ambos tiveram prisão preventiva decretada.

No campo das ameaças, a PF relata que houve, ao menos, um episódio em que se discutiu a simulação de um assalto como forma de intimidação. A vítima seria abordada por terceiros contratados para encenar o crime e praticar agressões durante a falsa ação. Em mensagens atribuídas a Vorcaro, há autorização explícita para que o plano fosse levado adiante.

O nome do colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, também surge na investigação como um dos alvos de conversas que mencionariam represálias após publicações sobre o Banco Master.

Vorcaro já havia sido preso na primeira fase da operação, em novembro do ano passado, mas foi solto dias depois mediante medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica. Com o avanço da perícia nos dispositivos eletrônicos e a consolidação dos relatórios técnicos, a PF sustentou que houve tentativa de interferência nas apurações, o que reforçou o pedido de nova prisão.

Além das prisões, o STF autorizou mandados de busca e apreensão e medidas de bloqueio de bens. A investigação apura suspeitas de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro, invasão de dispositivos informáticos e possível manipulação de mercado.

Até a última atualização desta reportagem, a defesa de Daniel Vorcaro não havia se manifestado sobre o teor da decisão.

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