Justiça

Reforma do Código Civil pode desamparar mulheres do Nordeste que abriram mão da carreira

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Com a exclusão do cônjuge como herdeiro necessário, mulheres podem enfrentar vulnerabilidades financeiras  |   Bnews - Divulgação Foto: Divulgação
Redação Bnews

por Redação Bnews

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Publicado em 05/05/2026, às 12h30



A reforma do Novo Código Civil, atualmente em debate no Senado, traz uma mudança estrutural que promete sacudir as bases do planejamento familiar no Brasil, com um impacto potencialmente devastador para a realidade socioeconômica do Nordeste. A polêmica é a proposta de retirar o cônjuge da lista de herdeiros necessários. 

Na prática, isso significa que o marido ou a esposa deixaria de ter direito garantido por lei a uma fatia do patrimônio do parceiro em caso de morte, permitindo que uma pessoa destine todos os seus bens a terceiros via testamento, excluindo completamente quem esteve ao seu lado por décadas.

Essa alteração na legislação ignora uma ferida aberta nas estatísticas brasileiras: o abismo de gênero no mercado de trabalho. Dados recentes do IBGE revelam que, enquanto a participação dos homens no mercado supera os 72%, a das mulheres flutua entre 53% e 55%. 

No Nordeste, esse cenário é ainda mais sensível devido às raízes culturais e estruturais que frequentemente empurram a mulher para o papel de cuidadora exclusiva do lar. Ao longo de um casamento, muitas nordestinas interrompem os estudos ou a vida profissional para gerir a família, confiando na construção de um patrimônio comum que, agora, pode ser legalmente blindado contra elas.

O Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM) já levou o alerta ao Congresso, pontuando que a "modernização" defendida por alguns juristas mascara uma vulnerabilidade financeira aguda. Para especialistas em Direito Civil, o fim da herança automática transfere a responsabilidade da proteção para o planejamento individual. O problema é que, em uma região onde o acesso à assessoria jurídica preventiva ainda é privilégio de poucos, a maioria das mulheres só descobrirá a perda do direito no momento do luto, quando já for tarde demais para buscar garantias.

Sem a proteção automática da lei, a segurança patrimonial passa a depender exclusivamente da vontade do parceiro ou de contratos antenupciais complexos. Especialistas advertem que o novo texto pode deixar viúvas sem fonte de renda e sem teto, especialmente em famílias com filhos de relacionamentos anteriores, onde a disputa pelo espólio costuma ser feroz. 

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