Justiça
por Cauan Borges e Rafaela Kalil
Publicado em 14/04/2026, às 13h10 - Atualizado às 13h31
O advogado assistente da família de Mãe Bernadete, Hédio Silva Júnior, falou da sustentação do argumento da acusação, comentou a expectativa para o resultado do julgamento dos acusados de matar a líder quilombola e as declarações de um dos réus, durante a sessão realizada nesta terça-feira (14), no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador.
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Hédio apontou que o caso possui diversos aspectos que resultem na condenação dos acusados, Arielson da Conceição Santos e Marílio dos Santos, ao afirmar que o crime “tem testemunha ocular, tem perícia, tem interceptação telefônica, têm rastreamento de antena”, fatores que contribuem para um desfecho positivo para os familiares de Bernadete.
“O que nós fizemos foi destacar aspectos probatórios que são irrefutáveis, que são insofismáveis, porque o jurado precisa ter essa segurança em relação à decisão que ele vai tomar daqui a pouco na sala secreta. E o que nós temos nesse julgamento são fatos de um lado e versões convenientes, edulcoradas do fato. O fato é que Ariel se executou, tem testemunha ocular, tem perícia, tem interceptação telefônica, tem rastreamento de antena, tem um lastro probatório que não permite tergiversação. Então o jurado não pode se deixar influenciar por tergiversação. Foi isso que eu tentei destacar aqui. Estou muito seguro de que nós teremos condenação”, iniciou o advogado.
O advogado, ao ser questionado pelo BNews acerca do depoimento da defesa dos reús, revelou que um dos homens confessou “mais uma vez o crime” e que, de forma supostamente incongruente, teria sido vítima de tortura e coagido a admitir ter matado a líder quilombola.
“Confessou mais uma vez o crime. E agora ele vem com uma versão conveniente na frente dos jurados, de que ele teria sido torturado todas as vezes em que ele confessou, ele teria sido coagido a confessar, ele teria sido obrigado a assinar documentos dos quais ele não sabia o teor dos documentos. E eu fiz lembrar aos jurados que o último depoimento dele, em que ele estava em juízo, ele não alegou tortura. Aliás, ele não estava sobre tortura, ele estava na frente de um juiz de direito”, completou Hédio.
Além do advogado da família, o promotor Raimundo Moinhos comentou a concepção do Ministério Público que, segundo o magistrado, é de confirmação de tudo que já tinha sido apresentado anteriormente e que, consequente, estão confiantes que a justiça será favorável.
“O sentimento e a concepção do Ministério Público é de confirmação de tudo o que já havia mencionado antes com relação a esse julgamento. A prova amealhada, produzida desde a fase policial, durante a instrução criminal, confirmada ontem na instrução em plenário, foi a confirmação do que foi dito pelo Ministério Público, pela assistência de acusação em plenário. Então o Ministério Público está confiante”, comentou Raimundo.
Relembre o caso
Mãe Bernadete foi morta com 25 tiros dentro de sua residência, em 17 de agosto de 2023. O crime ocorreu na sede da associação quilombola da comunidade de Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador. No momento do ataque, três netos da vítima — de 12, 13 e 18 anos — estavam no local.
As investigações indicam que o assassinato pode estar ligado à atuação firme da líder contra a presença do tráfico de drogas no território quilombola.
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