Cultura
Publicado em 23/10/2024, às 11h29 - Atualizado em 25/10/2024, às 04h15 Dandara Amorim
Tudo começou com a ideia de abrir uma lavanderia. Porém, no meio do caminho, Wesley Rangel e seu cunhado resolveram criar a fonte das canções clássicas do Axé Music, a gravadora WR. O local é um espaço que representa o significado do Axé Music para o músico e produtor musical, Jonga Cunha, que contou ao BNews como o Axé influencia o cenário rítmico de hoje.
Em 2025, o ritmo musical e movimento artístico completa 40 anos de existência, iniciando a jornada em território baiano antes de dominar o Brasil, marcando momentos que até os dias atuais habitam a memória do brasileiro, como quando a cantora Daniela Mercury se apresentou embaixo do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP), na capital paulista, e estremeceu o chão.
"Eu tenho certeza absoluta que o Axé é um grande movimento da história contemporânea da música brasileira, talvez o maior de todos os movimentos, a gente considerada na música o samba, a bossa nova, a tropicália, o rock dos anos 90, 80, 90, todos esses movimentos, o sertanejo, o Axé certamente foi o mais forte, que varreu o país", afirmou o músico.
Para Jonga Cunha, o movimento veio a partir de uma inquietação, uma vocação afro-brasileira que conta com a sonoridade dos tambores do ijexá se apropriando do agogô, da guitarra e do baixo elétrico. Assim nasceu Luiz Caldas, hoje considerado o “pai do axé”, uma vez que lançou a primeira música dos sotaques e melodia baiana, em 1985, em parceria com Paulinho Camafeu. A música que dominou as paradas musicais da época foi batizada de "Fricote".
Essa inquietação que se transformou em rima e ritmo tem grandes ícones, como Ivete Sangalo, Margareth Menezes, Saulo Fernandes, Carlinhos Brown, Tatau, Cláudia Leitte, entre outros grandes artistas que ecoam nos circuitos do carnaval e fora dele. Jonga, que também habita na cena musical, se vê como um operário. "Nunca fui genial como Brown, uma estrela como Ivete, mas sempre trabalhei como músico, artista, cantor, diretor de bloco, presidente da Saltur, apresentador de rádio durante 15 anos, livro que escreve sobre o movimento", contou.
O músico e produtor explica que nesta década estamos no “pós-axé", sonoridade a qual influencia os artistas da contemporaneidade não somente baianos. Porém, ele destaca a necessidade do resgate dos antigos carnavais, como o projeto Mudei de Nome.
Carnaval das antigas, mas com inovação
Para Jonga Cunha, o projeto do pranchão é uma criação a qual ele fala com alegria.
"Nos últimos 10 anos, o que a gente fez com Alavontê / Mudei de Nome me dão muito orgulho como é o caso do pranchão que foi uma invenção nossa. E uma reunião de artistas que valorizam esse axé, esse movimento", conclui Cunha.
Ao redor do trio elétrico com uma infraestrutura diferenciada, onde é possível se aproximar do público, é fácil de entender porque um dos clássicos do carnaval é a canção Chame Gente, uma vez que a musicalidade a qual relembra os sucessos dos anos 90, atrai foliões de diferentes idades desejando que essa fantasia carnavalesca atemporal não chegue ao fim.
Carnaval Pós-axé
A tendência do carnaval que se fortaleceu com o Axé busca a inovação com com outras movimentações culturais. Segundo Cunha, a musicalidade expande para novos horizontes e a baianidade se perpetua. "Hoje o carnaval é uma herança do Axé, porque antes havia muito influência de Pernambuco, com o frevo, sem voz. Moraes Moreira é Axé, mesmo sendo antes de 85, quando pega o microfone e começa a cantar: 'Eu sou o carnaval em cada esquina'", concluiu Jonga.
Classificação Indicativa: Livre
Qualidade Stanley
Limpeza inteligente
Baita desconto
Cupom de lançamento
Imperdível