Cultura

Baianas de Acarajé: símbolos de resistência afro-brasileira, preservação cultural e ancestralidade

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As baianas de acarajé representam a resistência cultural afro-brasileira, preservando tradições e a memória ancestral  |   Bnews - Divulgação Foto: Reprodução / redes sociais @abam_nacional
Natane Ramos

por Natane Ramos

Publicado em 15/11/2025, às 06h30 - Atualizado às 11h47



Das vestimentas aos alimentos típicos, as baianas de acarajé representam um símbolo de resistência das tradições na cultura afro-brasileira. Através do akará (bolo de fogo) e do jè (comer), o acarajé, comida associada à Iansã, a orixá dos ventos e tempestades, as baianas carregam a memória, ancestralidade e resistência de mulheres que possuem uma trajetória que remonta ao período colonial, quando escravizadas libertas começaram a vender seus quitutes para sustentar suas famílias.

Em 2005, a figura da baiana de acarajé foi reconhecida como patrimônio imaterial pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o que reforça o valor cultural e histórico dessas mulheres que mantêm vivas importantes tradições.

Ao BNews, Rita Santos, coordenadora da Associação Nacional das Baianas de Acarajé, reforçou como seu trabalho é uma forma de "preservar uma herança africana viva, manter a espiritualidade presente no cotidiano e garantir que cada baiana tenha seu lugar de respeito e reconhecimento".

"As baianas de acarajé são pilares da resistência afro-brasileira. Nascidas da força de mulheres negras libertas, elas transformaram o tabuleiro em fonte de autonomia, sustento e afirmação cultural. Mantiveram vivas as tradições culinárias e religiosas trazidas da África, preservaram saberes do candomblé e ajudaram a moldar a identidade da Bahia e do Brasil. Hoje, representam memória, patrimônio cultural e ancestralidade no espaço público, sendo guardiãs de um legado que atravessa gerações", declarou Rita.

Apesar do importante papel desempenhado por essas mulheres, o preconceito e falta de reconhecimento ainda é latente. "Apesar da força da tradição, os desafios são muitos, e boa parte deles permanece sem solução em nível nacional", explicou a Baiana de Acarajé.

Rita listou os maiores desafios enfrentados hoje pelas baianas de acarajé para manter a tradição viva. Sendo eles:

  • Falta de políticas públicas federais voltadas especificamente para as baianas de acarajé, tanto para valorização quanto para apoio à continuidade do ofício;
  • Ausência de políticas efetivas de saúde, já que o trabalho envolve rotina extensa, esforço físico, exposição ao calor e uso constante de ingredientes que exigem cuidados;
  • Burocracia e dificuldades de regularização nos municípios;
  • Custos elevados dos insumos tradicionais, como dendê de boa qualidade, camarão seco e feijão fradinho;
  • Concorrência com produtos descaracterizados, que não respeitam a tradição nem a história;
  • Preconceito religioso, pois o ofício tem raízes profundas no candomblé;
  • Desafios para transmitir o conhecimento às novas gerações, garantindo continuidade da profissão reconhecida oficialmente em 2018.
"Mesmo diante de tudo isso, seguimos firmes, mantendo viva a chama ancestral e garantindo que o sabor, a fé e a história das baianas permaneçam presentes em cada tabuleiro", finalizou.

No dia 25 de novembro, celebra-se o Dia Nacional da Baiana de Acarajé, que reforça a atenção especial que essas figuras, que são símbolos da cultura afro-brasileira, e ainda lutam para garantir seu espaço.

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