Cultura
por Natane Ramos
Publicado em 22/03/2025, às 08h00
As baianas acarajé despertam muito mais que sabores com seus pratos típicos, elas mantém viva uma tradição, ancestralidade e fé que transbordam de Salvador para outras partes do Brasil, conseguido conciliar esse legado cultural e uní-lo ao empreendedorismo que realizam ao se dedicarem totalmente na venda desses alimentos.
O "akará" (bola de fogo) unindo-se ao "jé" (comer) são palavras de origem Iorubá, e possuem esse nome ao fazer uma ligação direta com a história dos Orixás Xangô e Oyá. Através desse prato típico, as vendedoras cultivam uma cultura de resistência não somente na capital baiana.
A soteropolitana Rosangela Carvalho Macedo, apelidada de Danda, saiu de Salvador e hoje faz sucesso em Petrolina, Pernambuco, sendo uma dessas mulheres que tem participação fundamental em manter essa tradição viva. A empreendedora destacou que a sua história com o acarajé começou há mais de 10 anos, quando ela decidiu seguir os passos da mãe. "É uma tradição de família! O acarajé que eu vendo é o mesmo que minha mãe fazia, e hoje ele garante nosso sustento. Com ele, criamos nossos filhos, pagamos nossas contas e seguimos com dignidade, sempre honrando essa herança tão rica", relembrou.
"A venda de acarajé é mais do que um negócio, é um legado. Pra nós, baianas, significa manter viva a cultura, a tradição e garantir o sustento da família. É um trabalho feito com amor, que fortalece a identidade afro-brasileira e leva o sabor da Bahia pra onde a gente for", destacou Danda.
Rosangela considera seu trabalho fundamental para a construção da identidade cultural de todo um povo, destacando como cada elemento utilizado no preparo tem uma ligação direta com a religiosidade. "A gente mantém a tradição com respeito à nossa ancestralidade, seguindo o jeito certo de fazer: massa bem-feita, feijão bem batido, azeite de dendê de qualidade e aquele tempero que vem de dentro da gente. Além disso, o tabuleiro não é só um ponto de venda, é um espaço de resistência cultural e de fé", revelou.
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Realizando esse trabalho necessário em Petrolina, Danda comentou que vê seus serviços como uma verdadeira missão. "Eu vejo como uma missão! Levar o acarajé pra fora da Bahia é espalhar nossa cultura pelo Brasil. Aqui em Petrolina, o povo abraçou a gente, e é bonito ver como nosso tempero conquista cada vez mais pessoas. É a Bahia viajando pelo mundo, através do dendê e da fé", refletiu.
Mas nem só de acarajé vivem as baianas! Apesar de ser o prato principal, outra iguaria que é celebrada na Bahia é o famoso abará, que possui uma origem afro-brasileira e, assim como o acarajé, são um dos movimentadores de empreendedorismo na capital baiana. Um exemplo disso é a vendedora de abará Marta Cristina, que viu nas vendas pela praia da Barra uma oportunidade de sustentar seu lar e fazer algo que ama.
"Esse abará na minha vida tem muita importância, porque quando eu comecei trabalhar, eu estava desempregada. Sempre gostei de cozinhar", inicou.
Martinha do Porto da Barra, nome pelo qual ficou famosa, possui um jeito alegre que chama a atenção dos clientes. "Com essa venda minha, tudo aconteceu na minha vida de bom. Conheço pessoas do mundo todo", revelou, contando que chegou a participar do documentário "Street Foods" da Netflix, sendo uma das cinco brasileiras no programa.
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Martinha destaca como o acarajé e o abará tem o poder de acolher e mover as pessoas, se destacando como um verdadeiro acontecimento cultural e histórico. "Acho que o que é mais importante da cultura do acarajé, do abará, é você saber tratar as pessoas, saber abraçar as pessoas que vem de fora. Quando eles vem para a Bahia eles querem se sentir baianos", finalizou.
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