Cultura
A arte negra, em suas múltiplas linguagens, segue sendo um território de resistência e reexistência, um espaço onde corpos, vozes e memórias ancestrais se reafirmam contra o apagamento histórico.
Na Bahia, berço de profundas heranças africanas, artistas visuais, cineastas e músicos contemporâneos têm transformado a cultura negra em instrumento de transformação, denúncia e orgulho coletivo.
A artista visual e tatuadora Suiane Souza, bacharel em Artes pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), é uma das vozes que fazem da pele uma tela de memória e pertencimento. Para ela, tatuar pessoas negras é um ato de afirmação política.
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“Pra mim, a tatuagem é mais do que marcar a pele com tinta, é referenciar a contribuição da diáspora africana no nosso território, especialmente em Salvador, de onde bebo minhas fontes de inspiração”, afirmou em entrevista ao projeto BNews Novembro Negro.
Com o objetivo de ampliar a expressividade e buscar a valorização da cultura preta em Salvador, Suiane mantém uma atuação profissonal voltada a corpos negros, em um mercado ainda majoritariamente branco.
“Escolher tatuar pessoas pretas é um posicionamento político que fecha portas. Mesmo assim, eu insisto, porque tatuadoras negras como eu são necessárias pra não deixar o racismo apagar nossas marcas culturais”, diz a tatuadora.
As criações da artista corporal misturam símbolos afro-brasileiros, arquitetura soteropolitana e referências da África Ocidental, juntando os elementos técnicos à criatividade, sempre explorando as variedades do processo artístico.
“Hoje eu crio tatuagens inspiradas nos portões e grades de Salvador com a simbologia Adinkra, principalmente o símbolo Sankofa, como forma de manter viva a memória do nosso povo”, completou.
Confira:
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Do traço à tela, do som ao corpo, a arte negra na Bahia reafirma sua força ancestral e política. É por meio dela que criadores como Suiane mantêm viva a herança de um povo que transforma resistência em beleza, e beleza em poder. Em um país ainda marcado pela desigualdade racial, essas vozes ecoam a arte negra como memória, resistência e futuro
Em entrevista ao BNews Novembro Negro, outra artista visual, Ani Ganzala, vê na arte um ato de existência e cura: “Toda expressão de arte negra ou indígena é uma forma de resistência e afirmação política, mesmo quando não é uma reivindicação direta. Criar já é desafiar a lógica de exploração dos nossos corpos e da nossa criação”, destacou.
Filha de agricultores e com inclinação ao Candomblé, religião fundamental na construção da identidade negra em Salvador, Ani traz para suas obras o diálogo entre espiritualidade, natureza e ancestralidade.
“Minha relação com a mata e as folhas está diretamente ligada à minha ancestralidade. Isso se reflete na forma como construo minhas narrativas artísticas,como mulher negra, filha de terreiro e alguém que entende a arte como um caminho de cura e conexão com o divino”, afirmou.
Veja:
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CINEMA X MÚSICA
A potência dos artistas também se manifesta no cinema e na música baiana. Cineastas como Everlane Moraes, de Juazeiro, têm levado as estéticas e narrativas negras para telas internacionais. Sua obra, marcada pela poética da ancestralidade e da memória, foi destaque no Festival de Cannes e em diversas mostras internacionais.
No audiovisual contemporâneo, o Coletivo Tela Preta, formado por cineastas negros de Salvador, vem se destacando pela criação de curtas e documentários que abordam identidade, racismo e cotidiano periférico com um olhar autoral e político.
Na música, a arte negra baiana pulsa em nomes que resgatam a força do tambor e da palavra. Larissa Luz, com seu som que mistura afrofuturismo e resistência feminina, se tornou uma das vozes mais potentes da nova geração.
Luedji Luna, com sua poesia afrocentrada e sonoridade que atravessa o Atlântico, constrói pontes entre a Bahia e o continente africano. Baco Exu do Blues, nascido em Salvador, é outro exemplo de artista que transforma as dores da negritude em versos de orgulho e autoafirmação.
Outros nomes como ÀTTØØXXÁ, Afrocidade e Josyara também carregam na batida e nas letras o compromisso de reescrever o papel da arte negra na cena contemporânea, ampliando representações e desafiando os limites impostos pela indústria cultural.
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