Cultura

Quem é Nossa Senhora da Conceição da Praia, padroeira da Bahia

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A devoção à santa atravessa séculos e se confunde com a própria história da capital baiana  |   Bnews - Divulgação Devid Santana / BNEWS
Redação Bnews

por Redação Bnews

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Publicado em 08/12/2025, às 07h30 - Atualizado às 07h32



Todos os caminhos levam à Cidade Baixa, em Salvador, neste 8 de dezembro. Centenas de baianos e turistas se reúnem para celebrar Nossa Senhora da Conceição da Praia, padroeira da Bahia. A devoção à santa atravessa séculos e se confunde com a própria história da capital baiana.

Origem da devoção

Em 1549, quando Thomé de Sousa, primeiro governador-geral do Brasil Colônia, chegou a Salvador, trouxe consigo a imagem da santa e mandou erguer uma capela nas imediações da atual rampa do Mercado Modelo. Desde então, Nossa Senhora da Conceição passou a ser considerada protetora da cidade e do estado. Antes disso, D. João IV já havia proclamado a santa como padroeira de Portugal e de suas colônias.

A oficialização como padroeira da Bahia aconteceu apenas há cerca de 45 anos, em votação na Assembleia Legislativa do Estado.

Igreja e Basílica

Em 1623, foi construída a primeira igreja dedicada à santa, chamada de Conceição da Praia por estar localizada na área portuária da cidade. Em 1739, cem anos depois, o templo foi reconstruído pela confraria do Santíssimo Sacramento e pela Irmandade da Imaculada Conceição.

A grandiosa obra, pré-fabricada em Portugal em 1736, demorou quase seis décadas para ser concluída. Em 1854, o papa elevou o templo à condição de Basílica. O estilo mistura elementos neoclássicos e barrocos, com destaque para a pintura do teto feita por José Joaquim da Rocha, fundador da Escola Baiana de Pintura.

Sincretismo religioso

No Brasil colonial, a devoção à Conceição da Praia se uniu às tradições africanas. A santa foi associada ao orixá Oxum, rainha das águas doces, símbolo de força e determinação. Até hoje, no dia 8 de dezembro, rituais de matriz africana, como banhos de ervas, fazem parte da celebração.

Cultura e fé

A festa da Conceição sempre foi espaço de manifestações populares. Pesquisas históricas mostram que rodas de capoeira aconteciam no largo e no cais durante os festejos, acompanhadas pelo som do berimbau e cantos tradicionais.

Reconhecimento internacional

A beleza da Basílica chamou a atenção do papa João Paulo II, que rezou o Angelus no templo em 1991. Em 1971, o papa Paulo VI já havia concedido o título de Basílica Menor e declarado oficialmente Nossa Senhora da Conceição da Praia como padroeira única de Salvador e da Bahia.

Marco histórico

O templo também guarda momentos importantes da história recente. Em 1992, recebeu o corpo de Irmã Dulce, antes da transferência das relíquias para a Capela de Santo Antônio em 2002. Durante restaurações na década de 1990, foram descobertas salas secretas, pinturas e nichos.

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