Economia & Mercado

Comerciantes de Salvador têm pessimista perspectiva de vendas na Copa

Imagem Comerciantes de Salvador têm pessimista perspectiva de vendas na Copa
Número de feriados e pontos facultativos preocupam lojistas da capital baiana   |   Bnews - Divulgação

Publicado em 13/05/2014, às 06h25   Marivaldo Filho (Twitter: @marivaldofilho)



Após Salvador ter sido escolhida uma das cidades-sede da Copa do Mundo 2014, a expectativa de empresários, lojistas e trabalhadores do ramo era de que a competição ajudasse a aquecer o comércio, lotasse hotéis, e contribuísse com a geração de emprego e renda. Apesar da perspectiva inicial para lá de otimista, faltando exatamente um mês para o inicio do evento esportivo, comerciantes preveem prejuízos com os feriados e pontos facultativos decretados nos dias dos jogos.
Entre e junho e julho, em pelo menos nove datas o comércio deve apresentar funcionamento atípico durante a Copa do Mundo. No dia 13 de junho, Espanha e Holanda disputarão a primeira partida em Salvador. Três dias depois, Alemanha e Portugal também duelam na Fonte Nova. Suíça e França, no dia 20, e Bósnia e Iran, dia 25, fecham os confrontos da primeira fase na capital baiana. Mais duas partidas na etapa eliminatória na arena e, no mínimo, três jogos do Brasil devem influenciar no desempenho do comércio em Salvador.  Com o avanço da seleção brasileira na competição, mais pontos facultativos estão previstos.
Com as seis partidas em Salvador e a expectativa de que a Seleção Brasileira siga até a fase final da competição, os lojistas temem que o expediente seja cancelado nos dias de jogos e que o comércio fique enfraquecido.

Prejuízo
O coordenador estadual da Associação Brasileira dos Shoppings Centers (Abrasce), Edson Piaggio, e o representante da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL), Haroldo Nunes, revelaram perspectivas pessimistas dos comerciantes em relação à Copa do Mundo.
“Para nós, é importante que não seja decretado feriado. A Copa veio com a promessa de trazer oportunidades e com feriados o prejuízo será ainda maior. O prejuízo não será apenas dos lojistas. O estado também sairá perdendo porque não teremos dinheiro para pagar os impostos”, declarou Haroldo Nunes, durante audiência pública que debateu os impactos da Copa do Mundo na economia de Salvador, na manhã desta segunda-feira (12), no Centro Cultural da Câmara Municipal.
No mesmo evento, a presidente da Associação de Lojistas do Shopping Itaigara, Selma Chagas, foi ainda mais longe. Disse que os comerciantes que imaginavam que lucrariam muito com a Copa do Mundo em Salvador vão se decepcionar.
“Ano eleitoral já é, tradicionalmente, difícil para o comércio. Ao contrário do que muita gente pensou, nós não estamos sorrindo. O sorriso só está no rosto da comissão organizadora (da Copa do Mundo). Não está no rosto dos comerciantes”, criticou Selma Chagas.
Se os discursos dos comerciantes são marcados pelo pessimismo, para o representante do Secopa, Jorge Wilton, há motivos para comemorações e otimismo em relação ao desempenho do comércio em Salvador durante a Copa.
“Não acho que a Copa vai resolver todos os nossos problemas, mas tem que estar de má vontade para não reconhecer alguns avanços que foram impulsionados pelo evento. Importantes jogos serão disputados em Salvador, demos muita sorte”, argumentou Jorge Wilton.
Hotéis
O presidente da Comissão de Desenvolvimento Econômico e Turismo da Câmara, vereador Tiago Correia (PTN), também se posicionou contrário à suspensão do expediente nos dias de jogos. 
 “A Copa deve movimentar o trade turístico, mas sem comprometer demais atividades econômicas, por conta da grande quantidade de feriados. Já existe um posicionamento do prefeito em não decretar feriados aqui em Salvador. Esperamos que de fato seja mantido. Iremos tomar uma decisão fundamentada e levar para ACM Neto e ao governador Jaques Wagner, que certamente estará em acordo com as demandas de uma cidade com a importância econômica de Salvador”, argumentou.
O vereador Claudio Tinoco (DEM) lembrou que, além dos problemas relatados pelos lojistas, a devolução de 40% das reservas de hotéis feitas pela Fifa também devem causar “importantes impactos” na economia. Para suprir as vagas que eram dadas como certas, os donos de hotéis estão fazendo promoções com redução de até 50% no valor das diárias.
“Dizer que a Copa resolveria os nossos problemas, desde o início, sabíamos que não era verdade. Os nossos centros comerciais terão um grande prejuízo nesta Copa”, avaliou Tinoco.

Classificação Indicativa: Livre

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