Economia & Mercado
por Leonardo Oliveira
Publicado em 29/03/2026, às 10h10
A segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada no dia 14 de janeiro, foi marcada pela chegada de agentes da Polícia Federal (PF) à mansão de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. No entanto, documentos obtidos pela reportagem do UOL indicam que houveram sinais de que os investigados souberam com antecedência da operação.
No dia 14/01, por exemplo, um advogado já estava no portão externo, e os seguranças do imóvel, armados e contratados por empresa privada, se recusaram a deixar os policiais entrarem, segundo a PF. Um cenário parecido aconteceu em ao menos cinco outros endereços naquela manhã, em São Paulo, Minas Gerais, no Rio de Janeiro e na Bahia.
A operação investigava crimes de organização criminosa, gestão fraudulenta do Banco Master, além de manipulação do mercado e lavagem de dinheiro. No total, foram cumpridos 42 mandados de busca e apreensão em cinco estados, com bloqueio de bens que ultrapassaram R$ 5,7 bilhões.
Operação em Trancoso
A reportagem do UOL revela que, de acordo com relatório policial, quando os agentes chegaram na região de Trancoso, na Bahia, na casa de Felipe Vorcaro, primo do banqueiro e administrador de empresas do grupo, encontraram o quarto do casal com a porta aberta, o ar-condicionado ligado e os lençóis revirados, dando a impressão “de que as pessoas que ocupavam o imóvel teriam saído repentinamente".
Como consequência, sem os suspeitos, não havia celulares, tablets, notebooks ou qualquer mídia digital a apreender, justamente os itens que o mandado autorizava buscar. "Somente havia pertences relacionados aos demais ocupantes do imóvel", registrou a PF. A única apreensão foi uma câmera de vigilância.
Esvaziamento no Leblon
A reportagem também cita que o apartamento do investidor Nelson Tanure, suspeito de fraudes com fundos de investimento e de manter sociedade oculta com Vorcaro, foi encontrado sendo esvaziado no Leblon, no Rio de Janeiro. Na ocasião, não tinha pertences pessoais, nem funcionários, nem familiares. Nenhum celular, veículo, joia ou valor em espécie também foi localizado.
Fuga em Minas Gerais
Na casa de André Beraldo de Morais, suspeito de operar empresas laranjas para desviar recursos do Master, na cidade de Belo Horizonte, foi visto um panorama de fuga às pressas com roupas jogadas pelo chão nos quartos do casal e das crianças, além de camas bagunçadas. A PF anotou, com precisão incerta, que um cachorro de pequeno porte, "talvez da raça maltês", estava bem cuidado dentro da casa, mas os donos não.
Foi encontrado uma arma carregada de fácil acesso no quarto do casal. Além disso, uma sala-cofre precisou ser arrombada por um chaveiro e os agentes encontraram "um grande arsenal de armas e munições", no qual todas foram apreendidas.
Já em Nova Lima, também em MG, a PF foi recebida na residência de Fernando Vieira, outro suspeito de atuar em empresas fantasmas por policiais militares à paisana que se identificaram como seguranças privados da família. "Não foi possível saber qual unidade da PM-MG os policiais militares estão lotados", registrou a PF, sinalizando que o caso exige apuração à parte.
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Conflitos
O UOL mostra que houve um conflito institucional para além dos problemas de operação. A PF tinha solicitado, por exemplo, um prazo adicional para confirmação dos endereços atualizados dos alvos, mas teve o pedido reprovado pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso.
Desta forma, endereços desatualizados, juntamente com os indícios de vazamento, ocasionaram em buscas frustradas em termos de apreensão de evidências digitais, justamente o tipo de material que os investigadores procuravam.
O que diz a defesa
Os advogados de Daniel Vorcaro contestaram a versão da PF sobre o que ocorreu na mansão do banqueiro. Além disso, negam que os seguranças tenham resistido à entrada dos agentes e afirmam que a PF atirou nas fechaduras sem aguardar que o cliente abrisse a porta.
A defesa também ofereceu uma explicação sobre a presença de um advogado no portão externo antes mesmo da chegada dos agentes. Na véspera, o cunhado do banqueiro, Fabiano Zettel, havia sido preso ao tentar embarcar para Dubai no Aeroporto de Guarulhos. Diante desse cenário, os advogados previram que uma operação poderia ocorrer na manhã seguinte e foram ao local como prevenção.
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