Economia & Mercado
por Verônica Macedo
Publicado em 17/12/2025, às 07h42 - Atualizado às 07h45
Uma pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) mostra que 33,8 milhões de consumidores planejam destinar metade do 13º salário para compras de presentes e celebrações neste fim de ano. Essa tendência pode ganhar um significado mais sustentável se as pessoas apostarem em alternativas de presentes alternativos e práticas de consumo mais conscientes.
É o que explica Edson Grandisoli, embaixador e coordenador pedagógico do Movimento Circular, mestre em Ecologia e doutor em Educação e Sustentabilidade pela Universidade de São Paulo (USP). “Os períodos de festas e de férias naturalmente apresentam um aumento no consumo. Presentear as pessoas de que você gosta e convive faz parte dos rituais nessa época do ano. Entretanto, o Natal também é uma época de reflexões. E por que não aproveitar esse momento para refletirmos sobre nosso consumo e seus impactos? Falar para as pessoas não consumirem parece, às vezes, um pouco radical, mas acredito que o momento seja propício para exercitar um consumo mais consciente, ou menor", afirma.
Segundo o especialista, a proposta inclui refletir sobre a quantidade de presentes, os desperdícios na ceia e o uso excessivo de embalagens, por exemplo. “Presentes podem ser experiências, como ingressos de teatro ou visitas a exposições”. A economia circular envolve também estimular escolhas conscientes e repensar nosso consumo.
De acordo com Grandisoli, é importante ‘sair do automático’ e analisar cada escolha que fazemos do ponto de vista, por exemplo, da geração de resíduos. E questiona: “Será que realmente precisamos gerar uma pilha de papéis de presente (geralmente não recicláveis) ao final da festa? A circularidade não passa somente pela redução da quantidade de resíduos e pela reciclagem, mas também pela escolha de fabricantes verdadeiramente engajados com a economia circular, pela seleção de produtos mais socioambientalmente amigáveis, pela valorização de produtos gerados localmente e, por fim, pela gestão responsável dos resíduos que geramos”.
Ele lembra que o consumo elevado também está ligado à emissão de gases de efeito estufa. “Quanto maior o consumo, maior tende a ser a geração de resíduos e, com isso, também colaboramos com as mudanças climáticas”, reforça.
Pequenas mudanças, grandes impactos
Para o especialista, pequenas alterações no cotidiano podem gerar efeitos significativos. “Um ponto fundamental é as pessoas entenderem que todas as escolhas individuais são importantes, pois, de alguma forma, afetam o coletivo. Buscar informações, buscar dicas e se inspirar em boas práticas de pessoas próximas são ótimas maneiras de fazer diferente e melhor”, observa.
Confira, a seguir, quatro dicas para um Natal mais circular:
presenteie com experiências como ingressos ou passeios, que geram memórias, e não resíduos;
compre de pequenos produtores e fortaleça a economia local;
evite desperdícios, planeje a ceia e use embalagens reutilizáveis ou recicláveis (ou nenhuma embalagem);
faça uma gestão responsável dos resíduos e transforme orgânicos em adubo.
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