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Antigo Centro de Convenções é ‘esquecido no rolê’; saiba de quem é a responsabilidade

Reprodução/Google Street View
Abandono do antigo Centro de Convenções de Salvador chama a atenção dos moradores e de quem passa pela Boca do Rio  |   Bnews - Divulgação Reprodução/Google Street View
Vagner Ferreira, Lucas Pacheco e Leonardo Oliveira

por Vagner Ferreira, Lucas Pacheco e Leonardo Oliveira

Publicado em 22/11/2025, às 07h00



O abandono do antigo Centro de Convenções de Salvador e o vazio urbano nas imediações chama a atenção dos moradores e de quem passa pela Boca do Rio. O espaço, que já foi um dos principais símbolos do turismo de eventos da cidade, está fechado desde 2016 e se transformou em um grande ponto de insegurança, lixo, furtos e degradação. 

Sem definição de destino e envolvido em impasses jurídicos e administrativos, o espaço se tornou um problema que se arrasta há anos e que expõe falhas na gestão de áreas públicas estratégicas da capital baiana.

“Me dá uma dor no coração ver esse esse equipamento sendo acabado, sendo destruído desse jeito. Olha para isso, olha como ele está: apodrecendo no tempo e ninguém não faz nada. Esse lugar teve momentos incríveis que foram vividos por todos nós, que vivemos e moramos aqui em Salvador. Ver ele se acabando desse jeito é muito triste”, desabafa uma das moradoras locais, por meio de suas redes sociais.

“Esse vídeo não é sobre política, é sobre o sentimento de uma cidadã que, dia após dia, assiste a um patrimônio público se deteriorar no abandono. O patrimônio público, seja da União, do Estado ou do município, é parte da nossa história e precisa ser cuidado, valorizado e preservado. Cada parede que desaba, cada espaço que se perde, representa um pedaço da nossa contribuição através de impostos indo embora junto com o descaso”, continua.

De quem é a responsabilidade?

Para entender de quem é a responsabilidade pelo equipamento, o BNews ouviu os órgãos envolvidos. A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano (Sedur) informou que o prédio é de responsabilidade do Governo do Estado. Procurada, a Secretaria de Turismo (Setur-BA) disse que o imóvel é administrado pela Secretaria da Administração (Saeb).

Já a Saeb informou que mantém um ‘braço’ responsável pela área do antigo Centro de Convenções e que realiza ações periódicas de manutenção no local, incluindo limpeza e capinação do terreno, e que realiza atividades regularmente.

“A Superintendência de Patrimônio do Estado (Supat) está trabalhando no edital padrão para alienação do Centro de Convenções da Bahia (CCB), com as especificações técnicas necessárias para viabilizar a venda do imóvel, através do assessoramento jurídico da Procuradoria Geral do Estado (PGE). O Governo vai proceder com a alienação logo após a finalização dessa etapa”, comunicou ao BNews, em nota. 

Em busca de respostas

A Assembleia Legislativa da Bahia chegou a aprovar, em 2021, uma autorização para um leilão. Entretanto, foi suspenso pelo Tribunal Regional do Trabalho do Estado (TRT-BA), sob a justificativa de que o imóvel seria utilizado como garantia de dívidas trabalhistas com ex-funcionários do Estado e da Bahiatursa. 

Em outubro deste ano, o secretário estadual de Relações Institucionais do Governo da Bahia, Adolfo Loyola, disse em entrevista ao programa Se Liga Bocão, da Rádio Baiana FM e da BNews TV, que o governador Jerônimo Rodrigues iria anunciar nos dias seguintes a publicação de um edital para a venda do terreno. O documento, que segundo ele já estava pronto, ainda não foi apresentado. 

A expectativa era de que o destino do imóvel fosse comunicado pelo governo ainda no primeiro semestre deste ano. Em janeiro, durante conversa exclusiva ao BNews Premium, o secretário da Casa Civil da Bahia, Afonso Florence, confirmou que o equipamento seria vendido e que o processo se iniciaria ainda em 2025. 

Avaliado em mais de R$ 300 milhões de reais, o empreendimento foi chamado de ‘crise gigantesca’ pelo ex-governador da Bahia, Rui Costa, que afirmou em 2021 que o Centro de Convenções deveria cair no colo do próximo governador, no caso, Jerônimo Rodrigues. 

Vale frisar que, quando Rui tentou orquestrar uma venda que acabou fracassada, ainda em 2021, além do TRT suspender, o Ministério Público da Bahia sinalizou que o Governo do Estado havia anunciado o leilão por R$ 150 milhões de reais, mas não tinha apresentado um planejamento detalhado sobre a proposta de venda. 

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