Economia & Mercado
por Leonardo Oliveira
Publicado em 23/12/2025, às 08h12
A indústria automotiva segue em forte disputa e mais um capítulo surge com um alerta vindo da BYD. Segundo Stella Li, vice-presidente executiva da montadora chinesa, a tentativa da União Europeia de suavizar o fim dos motores a combustão não garante proteção de suas montadoras, mas aprofunda um problema da falta de foco estratégico diante da ascensão chinesa.
Em uma coletiva realizada em Londres, a executiva comentou do Pacto Verde Europeu, afirmando que o erro não está apenas no adiamento da proibição dos carros a combustão, mas na mensagem que isso envia à indústria.
“Quando você impulsiona uma direção e depois recua, afeta todo o planejamento de pesquisa e desenvolvimento”, afirmou. “Como competir com uma empresa que acredita apenas em um caminho?”, questiona.
Para Stella Li, o maior problema das montadoras europeias é buscar abraçar múltiplas tecnologias ao mesmo tempo. Enquanto parte da indústria divide recursos entre motores a combustão, híbridos, híbridos plug-in e elétricos puros, a BYD segue como objetivo a eletrificação como eixo central, com elétricos e híbridos plug-in DM-i ocupando praticamente todo o portfólio.
“Nunca há dinheiro suficiente para apostar em dois caminhos ao mesmo tempo”, disse Li. “E quando se faz isso, nenhuma área é dominada de verdade”, explica.
Estratégia não muda
A BYD afirma não se preocupar com possíveis revisões regulatórias na Europa. De acordo com Stella Li, mesmo que a proibição dos motores a combustão seja adiada, a empresa tem nos híbridos DM-i uma solução capaz de substituir esses veículos com consumo menor, desempenho superior e maior integração tecnológica.
O posicionamento se opõe à situação de muitos grupos automotivos europeus, que agora se encontram obrigados a recalcular investimentos, cronogramas e plataformas.
Na tentativa de preservar tecnologias mais antigas enquanto desenvolvem as do futuro, acabam enfraquecendo recursos e atrasando a maturação dos veículos elétricos, justamente onde a concorrência chinesa já opera com escala, custos mais baixos e cadeias produtivas fortemente integradas.
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