Economia & Mercado

Caminhoneiros tomam decisão sobre greve; saiba mais

Divulgação / Comando Nacional do Transporte
Os caminhoneiros decidiram não fazer greve nacional por enquanto, mesmo insatisfeitos com a alta do diesel  |   Bnews - Divulgação Divulgação / Comando Nacional do Transporte
Leonardo Oliveira

por Leonardo Oliveira

Publicado em 19/03/2026, às 22h04 - Atualizado às 22h56



Os caminhoneiros decidiram não fazer greve nacional por enquanto, mesmo insatisfeitos com a alta do diesel. Em vez disso, vão aproveitar os próximos sete dias para negociar com o governo e, em 26 de março, reavaliar o cenário em uma nova assembleia.

Decisão da categoria

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A decisão foi tomada em assembleia na Sindicam, o Sindicato dos Caminhoneiros da Baixada Santista, considerada referência “soberana” para a categoria em outros estados. Segundo o presidente Luciano Santos, “não é o momento de greve”, porque a ideia é negociar com o governo e tentar resolver as questões por meio de diálogo, e não diante de uma paralisação.

“A gente acredita que não é o momento de greve, não. A gente está negociando com o governo (...) A gente faz greve quando perde. Quando a gente está negociando, a gente senta, negocia e acha uma saída junto”, afirmou o presidente.

Medida provisória e negociações

O prazo de sete dias foi definido para que caminhoneiros discutam pontos da MP 1.343/2026 com o governo federal. A medida, publicada em edição extra do Diário Oficial, prevê punições para empresas que não pagam o piso mínimo de frete aos motoristas, com fiscalização ampliada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), que passará a monitorar 100% dos fretes. 

Representantes da categoria, como Wallace Landim (Chorão), da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), avaliam a MP como um avanço, mas querem ajustes, como regras para seguros, GR, identificação do peso dos caminhões e outros pontos.

Reunião com o governo

O encontro de lideranças caminhoneiras com o ministro Guilherme Boulos, da Secretaria‑Geral da Presidência, está marcado para 25 de março em Brasília. O objetivo é discutir emendas e ajustes na MP para fortalecer a proteção dos motoristas. Mesmo sem greve, a categoria mantém o discurso de “alerta”. Enquanto as medidas não forem garantidas, o risco de paralisação continua no horizonte.

Alta do diesel e medidas do governo

A pressão da categoria subiu depois que o diesel acumulou alta de 18,86% desde o fim de fevereiro, impulsionada pela guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã e pelo salto de 42,7% no preço do petróleo tipo brent no mercado internacional. Para conter o preço do combustível no Brasil, o governo zerou PIS e Cofins sobre o diesel e pressiona estados a reduzirem o Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre o diesel importado.

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Fiscalização e controle de preços

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) vai intensificar a fiscalização de postos para identificar e punir cobranças abusivas de combustíveis, enquanto a Polícia Federal abriu inquérito para investigar suspeitas de preços superfaturados e crimes contra os consumidores. 

Associações como a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL) também cobram mais ações do governo, incluindo a volta da Petrobras à distribuição de combustíveis, para ajudar a segurar o preço interno e garantir a sobrevivência econômica dos caminhoneiros.

“Os caminhoneiros estão no limite. A implementação dessas medidas é fundamental para garantir a sobrevivência da categoria”, afirma Carlos Alberto Litti Dahmer, diretor da CNTTL.

Classificação Indicativa: Livre

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