Economia & Mercado
Publicado em 15/11/2024, às 08h00 Verônica Macedo e Andrea Vialli
A expectativa da Braskem, que participa da 29º Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP29) é de avanço na definição de meios de implementação, ou seja, apoio financeiro dos países desenvolvidos em relação aos em desenvolvimento. É o que revela Jorge Soto, diretor de Desenvolvimento Sustentável da companhia.
“Essa ajuda deve focar na redução das emissões de gases de efeito estufa (mitigação), mas também para medidas de adaptação e de compensação por perdas e danos já que os impactos da mudança climática já são perceptíveis como vimos este ano no sul do país e com as secas no norte, centro-oeste e sudeste. Isso está sendo chamado de “New Collective Quantified Goal (NCQG)”, Novo Objetivo Coletivo Quantificável””, diz Soto.
Segundo ele, espera-se também o anúncio de novos intuitos por parte de alguns países. Para o diretor da Braskem, a revisão dos objetivos de cada país, registrados nas NDCs (National Determined Contributions), deve ser feita até a COP 30 (que será no Brasil). “Alguns devem tomar a dianteira já anunciando sua revisão em Baku. O Brasil acabou de anunciar suas novas metas de redução de longo prazo para 2035, mas sem muitos detalhes”, pontua.
De acordo com Soto, a empresa espera que novos passos também sejam dados na definição do mecanismo global para implementação do artigo 6, que trata de possíveis créditos de carbono no âmbito global, uma vez que esses créditos podem acelerar a viabilidade econômica de ações de mitigação (redução de emissões) por parte de países e empresas.
Soto também explica que esta COP será particularmente especial, pois antecede a que será realizada no Brasil em 2025, em Belém do Pará. “Será possível ter noção da mobilização que o governo brasileiro pretende fazer assim que a COP 29 em Baku terminar. Há uma expectativa elevada quanto à agenda que o governo brasileiro pretende imprimir”, salienta.
O executivo da empresa petroquímica de atuação global nas indústrias da química e do plástico esclarece também que, adicionalmente, o nível de ambição de redução das emissões e a questão do procedimento para créditos de carbono são de especial interesse do mercado brasileiro. “No país, há muitas empresas que tem se movimentado e oferecido soluções para a mitigação das mudanças climáticas. Meta ambiciosa e financiamento são duas dimensões que podem trazer oportunidades para essas empresas”, destaca.
Soto lembra que a Braskem tem participado das COPs (Conferências das Partes) da UNFCCC desde 2009 em função da importância dos temas debatidos. “Como comentei, além do financiamento, dos créditos, a maior ambição de mitigação das emissões também interessa muito. Quanto mais ambiciosa for a meta, mais oportunidades de mercado para os produtos de menor intensidade de carbono ou para os produtos que removem CO2 da atmosfera, como é o caso do nosso Polietileno de origem renovável”, ressalta.
Ao ser questionado pela reportagem de o BNews se acredita que ainda é viável manter o objetivo do Acordo de Paris, o executivo respondeu que a meta do tratado internacional sobre mudanças climáticas de limitar o aumento de temperatura a valores bem abaixo de 2°C está cada vez mais desafiada.
“Entre junho de 2023 e junho de 2024 tivemos 12 meses consecutivos com elevação de temperatura média em relação aos níveis pré-industriais igual ou acima de 1,5°C, que era o limite desejado. Por outro lado, eu acredito que quando o ser humano define um objetivo, é possível atingi-lo. Conseguimos, por exemplo, controlar a pandemia da Covid-19, que também foi um problema global. Apesar da dificuldade, devemos continuar a acreditar que é possível alcançarmos a meta de limitar a 2°C. Isso não é ser um simples otimista. Sou um positivista, ou seja, acredito que podemos ainda nos mobilizar para atingir esse objetivo. E nesse movimento acredito que o Brasil pode ser um grande provedor de soluções, considerando sua matriz energética com alto nível de renováveis e à alta produtividade de biomassa. Esses dois aspectos, por exemplo, foram cruciais para a Braskem se tornar a maior produtora mundial de biopolímeros, além do nosso investimento em inovação”, concluiu Soto.
O BNews transmite, em tempo real, toda a programação da 29ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas.
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