Economia & Mercado
por Vagner Ferreira
Publicado em 12/10/2025, às 06h00
Educação Financeira de forma lúdica nos primeiros anos da infância é o caminho defendido por especialistas para promover uma gestão mais segura e consciente do dinheiro. Com a chegada do Dia das Crianças, quando muitos pequenos recebem presentes e dinheiro, a data se torna uma ocasião ideal para introduzir conceitos financeiros de maneira lúdica.
A medida é uma das alternativas contra o índice de inadimplência no Brasil, que atingiu, em agosto deste ano, cerca de 71,7 milhões de pessoas, um recorde histórico, configurando-se uma alta de 9,2% com relação ao mesmo período do ano anterior, conforme dados da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) em parceria com o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil).
Há, inclusive, um Projeto de Lei (5.950/2023) que está sendo tramitado no Senado e trata sobre a obrigatoriedade da educação financeira nas escolas de todo o país. A proposta é justamente preparar as crianças para evitar falta de controle das finanças pessoais, endividamento e ausência da cultura da poupança.
Levantamento
De acordo com o levantamento, o total de inadimplentes teve aumento de 0,71% de julho para agosto, sendo influenciado pelos fatores econômicos do país, além da falta de planejamento financeiro. O economista Hugo Meza, especialista em Economia Criativa, Finanças e Inovação Educacional, ressalta a importância de introduzir os assuntos às crianças para que entendam, sobretudo, a realidade da família em que estão inseridas.
“A partir de um entendimento de que os recursos que os pais ganham são escassos e que precisam ser bem administrados, a educação financeira já coloca desde o início essa prerrogativa nas crianças. Ela é tão importante quanto as noções de empreendedorismo, que fazem com que a criança também possa enxergar o mercado no futuro, quando elas já forem produtivas e forem trabalhar, entender um pouco toda essa lógica de origem do dinheiro, para que serve, de onde vem e porque ele é importante nas nossas vidas”, disse o economista.
“Os pais têm que explicar para as crianças a dificuldade de ganhar um salário e como é difícil estabelecer padrões de renda numa economia que muitas vezes tem muita escassez. Não esconder dos filhos que a colaboração deles é fundamental, poupando água, luz, poupando os recursos que a família usa no dia a dia. Assim, elas irão entender que no futuro elas também serão pais de família ou terão uma vida de adulto e se já tiverem este conhecimento, será mais fácil se adequarem a essas novas perspectivas”, continuou.
Como um dos métodos de ensino, o economista recomenda: o uso de aplicativos, como a Calculadora do Cidadão, do Banco Central, para ensinar crianças a calcular poupança, aplicações e compreender juros compostos.
Adultos mais conscientes
A pedagoga Carollini Graciani destaca que educação financeira na infância forma adultos mais conscientes. Ela sugere dinâmicas envolvendo os três cofrinhos, por exemplo: "um para gastar, outro para poupar e mais um para doar".
Com o primeiro cofre, “a criança vai entender que ela precisa juntar dinheiro para gastar, que as coisas têm valor e que é preciso esforço para conquistá-las. Com o segundo cofre, ela vai entender que às vezes de imediato aquele dinheiro não é suficiente e ela vai precisar de um projeto a longo prazo, juntar o ano todo talvez, para poder comprar algo de maior valor. E no terceiro, a criança poderá desenvolver o senso de responsabilidade social, de compartilhar, de solidariedade e adquirir um entendimento de educação financeira não só para ela, mas para vida e para o mundo”, explicou a pedagoga.
“Separar brinquedos, livros e embalagens para simular um mercadinho em casa é uma ótima forma de ensinar sobre sistema monetário e valor das coisas. A criança se diverte, aprende sobre sistema monetário e passa a entender que não dá para querer ou levar tudo ao mesmo tempo quando ela for ao mercado com a família ou ao shopping, por exemplo”, continuou.
Por fim, Carollini afirma que não há uma idade exata para iniciar o ensino sobre finanças. “Na educação infantil já é possível introduzir conceitos básicos de valor e necessidade. À medida que crescem, os jovens podem receber explicações mais complexas, como orçamento, investimento e consumo consciente”.
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