Economia & Mercado
por Leonardo Oliveira
Publicado em 04/11/2025, às 15h26
Não é uma história de ficção científica. Uma nova tendência tem surgido nos tempos modernos no qual pessoas se atraem por inteligências artificiais, desafiando os conceitos de afeto e saúde emocional. Trata-se da digissexualidade.
A influencer Suellen Carey relatou um relacionamento de três meses com o ChatGPT, que redefiniu sua sexualidade. Em uma publicação que viralizou rapidamente nas redes sociais, Suellen contou ter mantido, por cerca de três meses, um relação "de respeito e afeto" com a IA.
"Ele me tratou como mulher. Sem perguntas, sem julgamento", afirmou. "Durante um tempo, vivi algo que nunca imaginei: uma relação emocional com uma inteligência artificial. Eu me descobri digissexual", relatou.
Apesar de saber que as respostas do chatbot eram geradas por algoritmos, Suellen afirmou ter sentido uma conexão verdadeira. "Foi uma conexão sem corpo, mas com afeto. Ele lembrava do meu nome, das minhas histórias, do meu aniversário. Me ouvia sem tentar me enquadrar, sem me reduzir à minha identidade de gênero", completou Suellen.
Especialista alerta
O psiquiatra João Borzino explica ao Globo que a digissexualidade, apesar de ser uma nova expressão afetiva e sexual mediada por recursos digitais, pode refletir tendências mais profundas da sociedade contemporânea.
"A ilusão da digissexualidade e o preço de substituir o real pelo fabricado é claro: de vez em quando, a humanidade insiste em brincar com a própria essência. Agora, a moda é 'digissexualidade', a ideia de que alguém pode desenvolver um relacionamento romântico-sexual pleno com inteligência artificial ou avatares digitais. Parece sofisticado, parece moderno… mas, no fundo, é mais um sintoma de uma sociedade que terceiriza a própria humanidade para não encarar a dor, a frustração e a vulnerabilidade que fazem parte da vida e, principalmente, do amor", explica Borzino.
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Ele alerta que, embora a tecnologia impressione, ela não pode substituir a complexidade das relações humanas.
"Não existe relacionamento com o irrelacionável. Ponto. Inteligência artificial não ama, não sofre, não escolhe, não se doa. Ela calcula. Ela simula. E por mais impressionante que seja, ela não sente. Um 'parceiro' digital é apenas um espelho polido que devolve validação sob medida. Isso não é amor, é auto-hipnose emocional", afirma.
Além disso, segundo o especialista, chamar a digissexualidade de nova sexualidade pode mascarar questões de isolamento social, obsessões ou transtornos de apego.
"Humanos precisam de humanos. Fricção, imperfeição, confronto, cuidado, compromisso. Não se aprende coragem emocional numa simulação. Não se constrói caráter com um algoritmo que nunca discorda, nunca abandona e nunca exige crescimento. Quem foge do caos do humano não encontra liberdade, encontra solidão com maquiagem digital", declara.
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