Economia & Mercado

Dois de Julho: Celebração ganha caráter popular ao longo dos anos e movimenta economia local

Joilson Cesar e Enaldo Pinto / BNEWS
Diferente do 7 de Setembro, celebração do Dois de Julho tem caráter mais popular, com festas nas ruas e nas casas  |   Bnews - Divulgação Joilson Cesar e Enaldo Pinto / BNEWS
Vagner Ferreira

por Vagner Ferreira

Publicado em 01/07/2025, às 10h00



A celebração do Dois de Julho é marcada por um cortejo que resgata a memória em prol da Independência da Bahia, que aconteceu no ano de 1823. Salvador é palco, anualmente, para um desfile cívico, com um percurso que remonta a trajetória feita pelas as tropas brasileiras, que lutaram, na época, por libertação. Diferente do Sete de Setembro, a celebração do Dois de Julho tem um caráter mais popular, com festas nas ruas e nas casas durante todo o dia. 

O tradicional cortejo do caboclo e da cabocla, que vai da Lapinha até o Largo do Campo Grande - uma média de 5 km - sai com uma multidão embalada por sons de fanfarras, marujadas, grupos políticos, filarmônicas e coletivos artísticos. Ainda, movimenta também a economia local. Com isso, comerciantes, ambulantes, artistas e artesãos se preparam para atender as demandas e aumentar a renda neste dia.

A vendedora Marli Brito, proprietária do bar homônimo - Bar da Marli -, fundado em 1985 no Largo 2 de Julho, conta como o dia impulsiona as vendas locais. “Essa data é de suma importância e nos traz um valor emocional muito significativo. Contamos com isso para que possamos melhorar as vendas e impulsionar a economia local”, disse ao BNews.

“O meu restaurante é um ponto de cultura central aqui do Dois de Julho, onde não só os moradores, como os visitantes, costumam vir até aqui prestigiar a celebração cultural e religiosa que fica na parte interna do bar. Já tive a honra de receber Maria Bethânia e Rita Batista, que estiveram presentes aqui o ano passado”, continuou ela. 

Para o historiador Ricardo Carvalho, o Dois de Julho deixou de ser apenas um evento cívico quando passou a ganhar uma crescente adesão popular e, assim, fortalece a identidade do povo baiano em diferentes gerações. 

“O que me parece surpreendente e, ao mesmo tempo, muito interessante do ponto de vista da identidade do povo baiano é a crescente apropriação do evento do Dois de Julho pela sociedade baiana e, particularmente, pelo povo da Cidade do Salvador, do Recôncavo Baiano e de uma parte do sertão. Isso é uma novidade do ponto de vista da nossa história”, disse o historiador.

“Um evento que tinha um caráter cívico, oficial, com razoável participação popular, ganha progressivamente uma adesão da massa do povo e do entendimento da importância. Isso é muito interessante. Enquanto se reclama tanto de que as tradições se perdem, de que os valores vão ficando no passado, no caso da Bahia e no caso do Dois de Julho, o fenômeno é o contrário disso. Cada vez mais as crianças, os jovens e a sociedade civil, entendem o significado do Dois de Julho e incorporam isso no seu imaginário coletivo”, continuou. 

No entanto, apesar do impacto positivo nas vendas, há comerciantes que apontam, ainda, medidas que precisam ser revistas para melhorar a receptividade comercial do evento. A proprietária Wilma Silva, do A Cúpula Burguer, que fica ao lado da Paróquia Nossa Senhora da Conceição da Lapinha, ressalta que o evento movimenta a economia, mas há critérios logísticos que impedem o acesso dos clientes ao local.

“O pessoal que vem de carro se sente prejudicado por causa do estacionamento, pois a praça fica interditada e não fica carro algum, pois a Transalvador reboca os que tiverem por lá”, protesta Wilma, ressaltando que os veículos são impedidos de permanecer no local desde o dia anterior.

“Os clientes têm que vir de uber ou deixar os carros em algum lugar nas ruas de trás”, continuou ela, reforçando que o aumento das vendas acontecem em maior volume nos turnos da tarde e noite, apesar do desfile cívico ser pela manhã.

No mais, o historiador Iure Alcântara ressalta: “Economicamente, o Dois de Julho recebe grandes visitas de pessoas da região Centro-Oeste, do Sul e do Sudeste, o que acaba movimentando a renda local, pois é um dia de cortejo, de festejo, não só na capital, como também no Recôncavo baiano”.

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