Economia & Mercado

"É uma tragédia realmente que não escolhe pessoas específicas", diz Cassiano Ribeiro sobre as mudanças climáticas

Maurício Viana/BNews
Entrevista com Cassiano Ribeiro sobre os desafios enfrentados diante das mudanças climáticas  |   Bnews - Divulgação Maurício Viana/BNews
Maurício Viana

por Maurício Viana

Publicado em 21/01/2025, às 08h52 - Atualizado às 08h55



As mudanças climáticas tem pautado os debates recentes em todo o mundo. Seja na COP29, reunião do G20 ou no ponto de ônibus, o assunto é dominante entre os cidadãos.

Recentemente o mundo também acompanhou a alta nos preços dos alimentos influenciados pelo clima: Café, cacau e soja são alguns dos que sofreram grandes altas nas bolsas mundo afora.

Em meio a isso, surge também o grande aquecimento da Agricultura Familiar, onde pequenos produtores buscam expandir seus negócios e põem no mercado produtos com cultivo diferente, mais cuidados com a terra e busca pelo equilíbrio entre o produto e a indústria.

Cacau é um dos principais ativos da Bahia (Fernando Vivas/GOVBA)
Cacau é um dos principais ativos da Bahia (Fernando Vivas/GOVBA)

É então que acompanhando todas essas questões climáticas que tem se expandido por todos os setores econômicos do mundo que Cassiano Ribeiro, editor executivo do site Globo Rural opinou em entrevista ao BNews sobre os impactos que atingem os pequenos produtores em meio a um momento de oscilação climática.

"Eu acho que na verdade não dá para a gente segmentar, o impacto da mudança climática não ocorre só num segmento, ele atinge todos nós. Ele atinge o sul, o norte, o nordeste. O pequeno, médio, grande, quem não é agricultor, quem é agricultor, a indústria, todos nós somos impactados, né? A gente vê essas tragédias acontecendo e elas não escolhem os segmentos, né? Então, mas sim a gente tem uma vulnerabilidade maior em pequenas propriedades, justamente porque a gente vê essa dificuldade de acesso a crédito, a informação de relevância ali que muda a realidade daquele negócio, então, sim, acho que as populações mais vulneráveis como um todo, não só a agricultura familiar, estão aí mais, digamos, ameaçadas por essa mudança no clima, mas, de novo, não é um problema de um ou outro, é um problema de todos nós, né?", diz.

"Eu acho que a questão do clima já mudou muito, infelizmente o que a gente vê é que a ação, a prática, ela acontece quando a coisa já está muito feia, né? E a gente já chegou num nível muito preocupante, num nível que se não mudar hoje, agora, a gente pode perder boa parte da produção, boa parte da Amazônia, e isso é muito triste, a gente vê a sustentabilidade muitas vezes no discurso...", destacou Cassiano, evidenciando que o debate climático ainda não é visto na prática.

Cassiano também relembrou a COP29, que foi "frustrante" por não atingir as metas propostas para o financiamento climático. Com uma meta de US$ 1 trilhão que seriam doados pelos países ricos, o acordo acabou fechado em US$ 300 bilhões.

"A COP, realmente, agora a última, a gente tem acompanhado, foi uma frustração, uma decepção generalizada, muito em função dessa expectativa que não foi correspondida de ter aí os financiadores apoiando essa transição, mas ao mesmo tempo a gente vê aí fenômenos acontecendo, episódios acontecendo cada vez mais catastróficos, mais tristes, que a gente vê uma movimentação maior quando isso acontece, né, infelizmente é dessa forma, mas a gente não desiste, eu acho que é importante sempre aqui, no nosso lado, como formadores de opinião, como mídia, sempre tocar nesses assuntos, né, então essa pauta é uma pauta constante", afirma.

Em meio aos avanços climáticos que o mundo sofre, a Agricultura Familiar permanece em sua raiz e essência. Na opinião de Cassiano, é importante também abrir os olhos para os pequenos produtores que movimentam a economia.

"Eu diria que a agricultura familiar no Brasil é extremamente importante, fundamental eu diria, porque a gente está falando de um segmento que representa mais de 80% do total de estabelecimentos rurais que existem no país, a gente está falando de quase cinco milhões de estabelecimentos, segundo o IBGE, o último censo, e mais de 80% são pequenos e médios agricultores, então quando a gente fala de agro, muitas vezes a gente fala olhando só para os grandes", discorre.

Ele também fala o tamanho do setor do Agro, e de como se faz necessário que o pequeno produtor avance, e dialogue com o novo mundo e a nova realidade existente.

Feira de Agricultura familiar na Bahia (Mateus Pereira/GOVBA)
Feira de Agricultura familiar na Bahia (Mateus Pereira/GOVBA)

"As pessoas às vezes entendem que são só os grandes produtores e são muitos agros que existem dentro do agronegócio, e a agricultura familiar ela é a mais importante, eu diria, em termos de volume, de número de propriedades, mas também é uma das que mais carece de acesso à informação, de acesso a crédito, a novas tecnologias. É uma inovação que precisa acontecer e ela vem acontecendo, mas de uma forma gradual, diria até lenta, nos últimos anos mais, com uma velocidade maior e isso a gente já vê com o resultado imediato", conta.

"Os próprios produtores mesmo, quando eles acessam uma tecnologia como painel de energia solar, tratamentos de dejetos na propriedade, ou tecnologias muito básicas ou informações relacionadas à gestão da propriedade mesmo, isso causa uma transformação gigantesca na vida desse produtor", destaca.

Por fim, Cassiano frisa mais uma vez que as mudanças climáticas são um problema para todos. Este é um fato que pode ser visto nos últimos meses com os incêndios de Los Angeles e as chuvas que atingiram o Brasil nos meados de janeiro.

"Todos nós estamos aí sendo engolidos por esses fenômenos climáticos, destruídos de certa forma, morrendo as pessoas, é uma tragédia realmente que não escolhe pessoas específicas, escolhe o planeta que está passando por esse momento, por todos nós", completa.

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