Economia & Mercado

Empreendimento penitenciário em alta: Veja o modelo de negócio voltado para detentos e suas companheiras

Empreendedores apostam em mercado para detentos e suas companheiras - Fotos públicas
Empreendedores focam em mercado para detentos e "cunhadas", como são conhecidas as suas companheiras  |   Bnews - Divulgação Empreendedores apostam em mercado para detentos e suas companheiras - Fotos públicas
Bruna Ferraz

por Bruna Ferraz

Publicado em 08/09/2024, às 16h57



Por questões de segurança, há diversas regras rigorosas para visitar detentos em presídios, e essas normas variam de um estado para outro no Brasil. Foi a partir das diretrizes da Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) de São Paulo que alguns empreendedores identificaram uma oportunidade de negócio.

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Uma dessas pessoas é Camila Bezerra, de 32 anos, proprietária de uma loja de roupas ao lado do Terminal Barra Funda, na capital paulista. Após a prisão do marido e com uma bebê recém-nascida para criar, Camila enfrentou dificuldades para se adaptar às exigências das visitas e viu, em sua experiência pessoal, uma forma de sustento: abrir uma loja especializada em roupas que seguem os padrões estabelecidos pela SAP.

Atualmente, o negócio de Camila também conta com um site de vendas que atende a todo o Brasil, mas no início ela teve que empreender sob encomenda, devido à falta de capital inicial. Ela solicitava 50% do valor do pedido antecipadamente, produzia a peça e coletava o restante do pagamento no dia da entrega, que coincidia com as visitas aos detentos.

Sua loja, com fachada cor de rosa, é uma das pioneiras no segmento de "moda padrão penitenciário" e, em um sábado comum, chega a faturar cerca de R$ 2 mil apenas na loja física, que atrai diversas "cunhadas" — termo usado para se referir às esposas de detentos — durante os dias de visita.

O mesmo tipo de demanda também inspirou Sebastião Pereira de Albuquerque Junior, de 58 anos, e seu filho Victor Reis, de 26. Juntos, eles mantêm um empreendimento que fornece jumbos e roupas para detentos em 182 penitenciárias de São Paulo.

A oportunidade de negócio surgiu quando Sebastião ajudou uma amiga que estava com dificuldades para encontrar os materiais permitidos para o filho preso. Ao perceber que o sistema penitenciário impõe regras bastante restritivas, ele estudou o mercado e, dois anos depois, abriu uma empresa especializada em fornecer produtos dentro das normas exigidas.

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