Economia & Mercado

Entenda a disputa bilionária entre gigantes de Hollywood que pode revolucionar a indústria do entretenimento

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Uma disputa acirrada vem sendo promovida nas últimas semanas pelo controle de uma gigante do entretenimento  |   Bnews - Divulgação Reprodução / Vincentas Liskauskas / Unsplash
Leonardo Oliveira

por Leonardo Oliveira

Publicado em 21/11/2025, às 10h35 - Atualizado às 11h01



Uma disputa acirrada vem sendo promovida nas últimas semanas pelo controle da gigante do entretenimento Warner Bros. Discovery, dona da HBO, redes de TV a cabo como CNN e TNT, além de personagens históricos como o Batman. 

Na última quinta-feira (20), Netflix, Comcast e Paramount apresentaram seus argumentos para adquirir o estúdio. O desfecho vai impactar a trajetória de toda a indústria e pode redefinir o equilíbrio no setor de streaming.

Disputa de interesses

O CEO da Paramount,  David Ellison, que possui bilhões herdados de seu pai, quer juntar toda a Warner Bros. Discovery com a Paramount para criar um contrapeso às gigantes da tecnologia. 

Já a Comcast, dona da NBC Universal, quer adquirir o estúdio e o negócio de streaming da empresa para fortalecer suas operações digitais e seus parques temáticos. 

A gigante Netflix foca no estúdio e no serviço de streaming, em um acordo que lhe traria vasto controle de um grande acervo de filmes clássicos e estúdio. Cada interessado mostrou à Warner Bros. Discovery uma proposta explicando por que seria o perfil perfeito. A oferta da Comcast criaria um concorrente formidável nas bilheterias, ao juntar dois dos maiores estúdios de cinema, Warner Bros. e Universal, e se consolidar como uma potência do streaming, com HBO Max e Peacock.

A proposta da Netflix, com mais de 300 milhões de assinantes, chamou atenção especialmente por incluir a promessa de continuar lançando filmes da Warner Bros. Discovery nos cinemas, de acordo com uma pessoa familiarizada com as negociações. 

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A medida seria importante para a empresa pioneira do streaming que não aposta tanto nas bilheterias. A Bloomberg já havia divulgado alguns detalhes da proposta apresentada pela Netflix.

Movimentações

O diretor-executivo da Warner Bros. Discovery, David Zaslav, ficou eufórico com a oferta da Netflix, em um jantar oferecido na última quarta-feira a talentos de Hollywood. O evento, que aconteceu na sua casa em Beverly Hills. 

A Paramount já encaminhou diversas propostas para adquirir a totalidade do grupo, incluindo seus canais a cabo, afirmando aos acionistas que a combinação da força da TV tradicional com o streaming é uma fórmula vencedora. A iniciativa do executivo tem apoio de seu pai, Larry Ellison, cofundador da Oracle e um dos homens mais ricos do mundo.

Apesar disso, o seu pai não pretende oferecer uma fonte inesgotável de capital, disseram duas pessoas com conhecimento dos planos. A Paramount tem parceiros na empreitada, como a empresa de investimentos RedBird Capital Partners, e possui conversas com fundos soberanos do Oriente Médio sobre a possibilidade de participação na oferta. As discussões se apresentam em fases iniciais, de acordo com duas pessoas familiarizadas com o tema.

Aprovação do governo

Os órgãos reguladores federais ainda precisam aprovar qualquer oferta que vier. A forma como o governo Trump analisará eventuais preocupações antitruste (conjunto de leis e políticas que visam prevenir e reprimir o abuso do poder econômico, promovendo a livre concorrência no mercado) vai depender da definição de quem são os participantes relevantes em um setor de mídia que evolui vertiginosamente.

A política também influenciou a aprovação de acordos durante o governo Trump. David Ellison cultivou relação com o presidente, que elogiou os negócios da família na Paramount. Já Brian Roberts, diretor-executivo da Comcast, entrou em conflito com Trump, que o chamou de “vergonha” para a radiodifusão.

A Warner Bros. Discovery ainda pode optar em não vender a nenhum interessado. Neste verão, a empresa anunciou um plano para se dividir em duas, uma que seria responsável pelo serviço de streaming e pelo estúdio, e outra para o negócio tradicional de TV a cabo. Caso o conselho rejeite todas as propostas, a divisão poderá ser concretizada, com previsão de término no ano que vem.

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