Economia & Mercado
A fortuna da família que controla o Grupo Mateus, rede de supermercados com operações na Bahia, sofreu uma forte queda em 2026. O patrimônio dos representantes da companhia no ranking anual de bilionários brasileiros da revista Forbes encolheu 53,8% e chegou a R$ 5,5 bilhões após um primeiro semestre marcado por crise fiscal, demissões e multas bilionárias.
Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (28). Os três representantes da família controladora do Grupo Mateus são os únicos empresários do Maranhão presentes na lista de bilionários brasileiros.
Na Bahia, o Grupo Mateus mantém 11 lojas em operação, incluindo uma unidade em Salvador, localizada no Salvador Norte Shopping. Outras dez estão distribuídas pelo interior do estado. A empresa também possui um Centro de Distribuição em Feira de Santana.
Denilson Pinheiro Rodrigues, de 38 anos, e Ilson Mateus Rodrigues Júnior, de 42, filhos do fundador do Grupo Mateus, tinham patrimônio líquido estimado em R$ 2,1 bilhões cada no levantamento do ano passado.
Em 2026, a fortuna individual dos dois caiu para R$ 1 bilhão. A redução representa mais da metade do patrimônio atribuído a cada um deles anteriormente.
A mudança também atingiu a presença da família no ranking. Maria Barros Pinheiro, de 64 anos, mãe de Denilson e Ilson Júnior, aparecia na lista da Forbes de 2025 com patrimônio superior a R$ 2,3 bilhões. Neste ano, ela não consta no levantamento.
Conhecido pela expansão nos segmentos de atacarejo, atacado e varejo nas regiões Norte e Nordeste, o Grupo Mateus atravessou meses de dificuldades em 2026.
Nos primeiros meses do ano, mais de seis mil funcionários foram demitidos em seis dos nove estados onde a empresa atua.
Os cortes foram justificados pelo grupo como "ajustes operacionais" voltados à "otimização" da dívida líquida da companhia, que pressionava a receita.
Outro episódio ocorreu em junho, quando a Receita Federal aplicou uma multa de R$ 1,28 bilhão à Armazém Mateus, subsidiária atacadista do grupo.
A cobrança envolve a exclusão, da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), de créditos presumidos do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).
Foi a segunda multa contra o conglomerado maranhense pelo mesmo motivo em menos de dois anos. Em setembro de 2024, a Receita Federal já havia autuado o Grupo Mateus em R$ 1,06 bilhão.
Também em junho, o Grupo Mateus anunciou que sua bandeira deixaria de existir na Paraíba, em Pernambuco e Alagoas como parte de uma estratégia comercial.
As operações nesses estados foram unificadas em torno do Novo Atacarejo, rede pernambucana adquirida pelo Grupo Mateus no fim de 2024.
Na Bahia, a companhia mantém operações em Salvador, Feira de Santana, Vitória da Conquista, Juazeiro, Itabuna, Ilhéus, Porto Seguro, Teixeira de Freitas, Barreiras, Alagoinhas e Jacobina.
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