Economia & Mercado

Fim da escala 6x1 é apoiada por 73% dos brasileiros, diz pesquisa

Paulo Pinto/Agência Brasil
De acordo com apoiadores, a nova jornada de trabalho deve ser sem redução de salário  |   Bnews - Divulgação Paulo Pinto/Agência Brasil
Bernardo Rego

por Bernardo Rego

Publicado em 13/02/2026, às 10h38



Uma pesquisa feita pela Nexus nos 27 estados do Brasil entre os dias 30 de janeiro e 5 de fevereiro aponta que 73% dos entrevistados apoiam o fim da escala 6x1 com a condição de que não haja redução de salário.

Ainda segundo o levantamento, cerca de 84% dos brasileiros são favoráveis aos trabalhadores terem, no mínimo, dois dias de descanso por semana. Para fazer o levantamento foram ouvidas 2.021 pessoas com idades acima de 16 anos.

Em entrevista à Agência Brasil, o CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, esclareceu que a ampla maioria - 62% dos consultados - sabe que tema está sendo discutido no Congresso Nacional.

“A gente tem de cara 35%, ou seja, uma de cada três pessoas que nunca nem ouviu falar desse negócio. E dos 62% que já ouviram falar, 12% conhecem bem e 50% conhecem mais ou menos”, esclareceu Tokarski.

Quando questionados sobre uma possível redução salarial fariam com que mudassem de opinião sobre a jornada de trabalho, 30% afirmaram ser favoráveis, mas que não houve impacto na vida financeira do trabalhador. A mesma pergunta foi feita para os 22% que afirmaram ser contrários ao fim da jornada 6x1. Desses, 11% disseram que iriam continuar sendo contra, mas 10% responderam que “se não mexer no bolso, eu topo”.

Se houvesse uma redução do salário, o total de pessoas favoráveis ao fim da escala cai para 28%, ou seja, a minoria. Outros 40% só são favoráveis à escala 6x1 se a medida for aprovada e não implicar em redução salarial. Há ainda 5% que se dizem favoráveis ao fim da jornada, mas ainda não têm opinião formada sobre a condicionante de manutenção ou redução dos salários.

O CEO da Nexus avaliou que a maioria é realmente a favor de ter mais um dia de descanso. “Não dá para trabalhar seis dias e folgar um só”, afirmou. “Essa é a grande questão, porque as empresas defendem que a jornada não seja reduzida mas, se houver redução, é com diminuição do salário. E os trabalhadores, de maneira geral, não topam uma redução de jornada com redução de salário”, explicou.

Ainda segundo Marcelo Tokarski, o problema é que, no Brasil, país de renda média baixa, de trabalho mais precarizado, pouca gente aceita ter uma folga a mais se o salário diminuir.

“Acho que é um pouco essa leitura que a pesquisa nos traz e que joga luz sobre essa discussão”, pontuou. O levantamento diz ainda que 84% das pessoas acreditam que o trabalhador deveria ter duas folgas obrigatórias. “É quase um viés de desejo. Quem não quer ter folga a mais? Todo mundo quer. Agora, quando a gente coloca que você vai trabalhar um dia menos, mas vai ganhar menos, o cara não quer porque tem conta para pagar. Acho que é um pouco isso que o dado evidencia ali para a gente”.

A pesquisa revela que 71% dos entrevistados que votaram no presidente Lula no segundo turno das eleições de 2022 são a favor do projeto de lei que propõe o fim da escala 6x1. Outros 15% são contra, enquanto 15% não opinaram. Já entre quem votou em Jair Bolsonaro nas últimas eleições presidenciais, 53% são a favor do fim das 44 horas de trabalho semanais, 32% são contrários e 15% não opinaram.

A PEC 148/2015 foi aprovada em dezembro do ano passado na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, mas ainda precisa passar por duas votações no plenário do Senado e duas na Câmara, com voto favorável de, pelo menos, 49 senadores e 308 deputados.

Se aprovada, o fim da escala 6x1 ocorrerá de forma gradual. No primeiro ano, serão mantidas as regras atuais. No ano seguinte, o número de descansos semanais subirá de um para dois. Atualmente, a jornada máxima semanal de trabalho é de 44 horas mas, a partir de 2027, poderá cair para 40 horas. O teto final será de 36 horas por semana de 2031 em diante.

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